Chilenos 'pé na estrada' tentam ingresso para jogo contra o Brasil

Parte do grupo que estava em SP decidiu voltar para casa; quem ficou relata boas surpresas no Brasil

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 05h00

O clima é de um autêntico "road movie": caros empoeirados, cheios de embalagens de alimentos pela metade, com comidas preparadas em fogões portáteis. A diferença é o "uniforme" dos membros da aventura. Camisetas vermelhas, misturadas com bandeiras do Chile e do Brasil.

De carro, desde o último dia 9, milhares de chilenos têm conhecido o País enquanto acompanham os jogos da seleção. Até anteontem, cerca de 50 mil deles estavam em São Paulo. Ontem à tarde, eram menos de 50. Com carros de passeio ou jipes e barracas, ou ainda em motor-homes, ficaram acampados no Anhembi, na zona norte. Dormindo em colchões e tomando banho de caneca.

"Daqui, muitos decidiram voltar, porque não estão conseguindo ingressos para os jogos. Outros já foram para Belo Horizonte", conta o engenheiro de minas Alejandro Guerra, de 32 anos, que está na estrada há nove dias com um irmão, um primo e um tio. 

Ele mesmo só não seguiu os compatriotas porque tem ingresso para Portugal e Gana, amanhã, em Brasília. Já assistiu aos jogos do Chile (e conheceu as cidades) em Cuiabá e no Rio.

"A gente vinha planejando a viagem há um ano. Todo o roteiro, para as 50 mil pessoas, foi organizado por três caras. Tem gente de todo o país aqui", conta o engenheiro, natural de Iquique, no norte do Chile.

NA ESTRADA

De Cuiabá até São Paulo, Guerra colecionou histórias de admiração pelo Brasil. "Estávamos na estrada, perdidos, e um cara se aproximou de moto e perguntou aonde queríamos ir. Achamos que era um policial. Quando leu o endereço, nos disse 'siga-me' e nos levou aonde queríamos. Foram sete quilômetros. Quisemos até dar dinheiro a ele, que se recusou. Isso jamais aconteceria no Chile", contava, encantado com o gesto – relativamente normal por aqui. 

"Em um restaurante, enquanto não entendíamos o cardápio, um cara se aproximou e explicou tudo. Depois, puxou a cadeira e sentou com a gente. Ainda pagou nossas cervejas! Vocês são muito próximos, isso é admirável", contou.

Outros chilenos, no entanto, não relatam a mesma sorte. A aventura de Jacqueline Dias Romano, de 49 anos, e Adolfo Cerrano, de 51, previa assistir à partida na Arena Corinthians. "Fomos pedir orientação para um policial, que nos ensinou errado. Ele foi muito mal-educado. Saímos da rota por 34 quilômetros e perdemos o jogo. A sinalização das estradas poderia ter sido melhor", lamentou Cerrano, apesar de rir da situação. 

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