Reprodução/Facebook
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China dará mais poder à federação e sonha em sediar Copa do Mundo

Federação Chinesa de Futebol será uma entidade independente

EFE

17 Março 2015 | 10h16

Como parte do ambicioso plano de Pequim, a Federação Chinesa de Futebol (CFA, sigla em inglês) se "emancipará" do governo do país e terá mais fontes de financiamento para melhorar a prática do esporte e conseguir, em um futuro não muito distante, sediar uma Copa do Mundo.

A CFA vai se separar da Administração Estatal de Esportes, órgão com categoria ministerial, e será uma entidade totalmente independente, sem fins lucrativos e capaz de recusar "intervenções não aceitáveis do governo", segundo revelou o Conselho de Estado (Executivo) em comunicado.

De acordo com o jornal em inglês China Daily, os órgãos de decisão na CFA deixarão passarão das mãos de representantes da administração estatal para um conselho da liga profissional, no qual haverá acionistas dos principais clubes, do mesmo jeito que ocorre nas principais ligas europeias.

Há três semanas, o próprio Conselho de Estado, liderado pelo presidente da China, Xi Jinping, aprovou um plano nacional de reformulação do futebol que também inclui a transformar o esporte em disciplina obrigatória nas escolas do país asiático.

Segundo os detalhes do plano, serão construídas 50 mil escolinhas de futebol antes de 2025. Para bancar essa e outras melhorias serão aumentadas as vias de financiamento da CFA, por exemplo com a criação de loterias esportivas.

Além disso, a liga profissional chinesa será mais aberta a práticas comerciais, assim como todo tipo de organizações na China. Escolas e empresas serão estimuladas a criar as próprias equipes de futebol para futuras ligas amadoras e diferentes níveis, de modo que contribuam para enriquecer as categorias de base.

Todos os projetos focam em melhorar a qualidade da liga chinesa e principalmente da seleção nacional, cujos resultados inexpressivos ao longo da história se tornaram em uma grande preocupação para os torcedores.

O plano é apoiado de forma bem pessoal pelo presidente Xi, fã de futebol assumido e que já traçou os objetivos da seleção chinesa a longa prazo: voltar a disputar uma Copa do Mundo, sediar uma edição no país e vencer a competição.

Apesar da China ser uma das maiores potências esportivas do planeta, principalmente em esportes individuais, o futebol nem sequer está entre os primeiros lugares do continente, onde seleções como Japão, as duas Coreias e a Austrália, que disputa na Ásia, são as atuais referências.

A seleção chinesa, treinada pelo francês Alain Perrin, melhorou um pouco desde que o espanhol José Antonio Camacho deixou o cargo em 2013, mas ainda ocupa posições relativamente baixas no ranking da Fifa. Atualmente, o país é o 83.º colocado na classificação mundial da entidade.

Na década anterior, a China conseguiu se classificar pela primeira e, até agora, única vez para uma Copa do Mundo, na edição de 2002, sediada no Japão e na Coreia do Sul, e profissionalizou a liga nacional, o que significou a chegada de "medalhões" do futebol europeu, tanto para o campo como para a comissão técnica, mas isso não trouxe os resultados esperados.

Um dos motivos para isso foi a corrupção que afetou o esporte na China desde a profissionalização, com grandes escândalos de manipulação de resultados, subornos a jogadores, árbitros e treinadores. De acordo com a imprensa oficial, outro fator que também contribuiu para o baixo desenvolvimento do futebol chinês foi a "burocracia sem coerência".

O desprestígio do futebol chinês nos últimos anos fez com que o número de escolinhas de futebol no país caísse de mais de mil nos anos 90 para apenas 20 na atualidade. No entanto, a abertura de centros de formação filiados a clubes europeus, como Real Madrid e Atlético de Madrid, pode mudar essa situação.

O jornal de Hong Kong South China Morning Post especulou nesta terça-feira a possibilidade de, após as reformas, a China se candidatar como sede da Copa do Mundo de 2030, mas nada está confirmado ainda.

Como a Copa de 2022, no Catar, já será na Ásia, é difícil que a Fifa repita o continente em 2026. Sendo assim, os países da confederação asiática teriam mais chances de sediar a competição ao tentarem candidaturas para edições posteriores, como 2034 ou 2038.

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