Li China Out/EFE
Li China Out/EFE

China já é 5º maior mercado de jogadores do mundo

País asiático pode ultrapassar Espanha e Itália em 2017

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2017 | 07h00

A China já ameaça os tradicionais centros do poder do futebol europeu e se transforma no quinto maior comprador de jogadores do mundo em 2016. Dados apresentados pela Fifa sobre o mercado de transferências revela que o dinheiro gasto pela China representa “um crescimento sem precedentes” na economia do futebol. 

De acordo com o estudo, pela primeira vez o número de transferências de jogadores superou os 14 mil. No total, clubes gastaram US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 15,1 bilhões) na compra de atletas, um recorde. 

Mas é a situação da China que chacoalhou os mercados, com dezenas de craques de clubes europeus migrando para o país da Ásia. Em 2015, os clubes chineses haviam investido US$ 168,3 milhões (R$ 530,1 milhões) na compra de passes no exterior. Em 2016, esse valor chegou a US$ 451,3 milhões (R$ 1,421 bilhão), 344% a mais do que todo o restante do continente asiático. 

“A China passou do 20º maior investidor em jogadores em 2013, com gastos de US$ 27 milhões (R$ 85 milhões), para o quinto maior em 2016”, disse a Fifa. 

Sozinha, a China já gasta mais que todos os clubes da Conmebol, Concacaf e África juntos. Somando os times dessas três regiões, os valores atingem “apenas” US$ 300 milhões (R$ 945 milhões). No mundo, de cada US$ 10 dólares (R$ 31,50) investidos no passe de um jogador, um dólar já vem dos chineses. 

Ao final de 2016, os clubes chineses já haviam gasto mais do que o dobro do investido pelos times franceses e, em 2017, poderão superar os italianos e espanhóis. Segundo os dados da Fifa, os times da Espanha reduziram em 15% suas compras no ano passado, para um total de US$ 508 milhões (R$ 1,6 bilhão). A liderança do ranking, porém, ainda é da Inglaterra, com gastos de US$ 1,3 bilhão (R$ 4,1 bilhão). 

Mas considerando-se os gastos líquidos – descontando a saída de jogadores de clubes para o exterior – a China já é a segunda colocada no mundo, com US$ 440 milhões (R$ 1,386 milhões). Só mesmo a Inglaterra, com um resultado líquido de US$ 1 bilhão (R$ 3,150 bilhões) ainda supera a nova realidade dos clubes chineses. 

O avanço de Pequim deixou clubes europeus alarmados e vários já pediram que a Fifa tome providências contra o que consideram ser uma concorrência desleal por jogadores. Nos bastidores, membros da entidade acusam os europeus de “hipocrisia”, já que quando faziam propostas milionárias a brasileiros e argentinos, jamais aceitaram a acusação de estarem desequilibrando o futebol mundial. 

Ainda assim, nas últimas semanas, autoridades em Pequim anunciaram que iriam iniciar um maior controle sobre os gastos dos clubes de futebol do país, colocando limites para jogadores estrangeiros em campo e investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. 

Brasil – Pelos dados da Fifa, quem também registrou um forte aumento nos gastos foram os clubes brasileiros. Com uma alta de 140% em comparação a 2015, os times nacionais gastaram em 2016 US$ 85 milhões (R$ 267,7 milhões) em reforços. A alta deixou o Brasil como décimo maior investidor no mundo. 

Uma vez mais, o país ainda mantém a liderança como o local de maior exportação de craques do mundo. Em 2016, foram 1,6 mil transferências envolvendo brasileiros pelo mundo, contra 922 argentinos. No total, os passes de brasileiros movimentaram US$ 593 milhões (R$ 1,867 milhões). Mas os clubes receberam apenas US$ 263 milhões (R$ 828,4 milhões) em receitas.

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