Hassan Ammar/AP
Hassan Ammar/AP

China proíbe atletas de exibirem tatuagens na seleção de futebol

Jogadores têm de usar camisas de mangas compridas mesmo sob forte calor, por causa de lei do país

Tariq Panja, The New York Times

18 de janeiro de 2019 | 04h30

As recentes tentativas da China de emergir como uma séria nação de futebol assumiu contornos curiosos. Um dos mais recentes é visível – ou melhor, invisível – na Copa Asiática. As temperaturas no torneio, que está sendo disputado nos Emirados Árabes Unidos, podem ser sufocantes, fazendo com que a visão de alguns jogadores chineses vestindo camisetas de manga comprida por baixo de suas camisas pareça intrigante.

A resposta está em um decreto semioficial de autoridades esportivas chinesas emitido no ano passado proibindo tatuagens que sejam visíveis durante as partidas. A diretiva aplica-se à equipe nacional, mas também aos jogadores chineses em competições domésticas, como a Superliga chinesa.

O futebol é atualmente uma prioridade nacional do presidente Xi Jinping, e as autoridades de futebol da China esperam que os melhores jogadores do país promovam valores positivos para a próxima geração de atletas e seus pais, alguns dos quais continuam receosos em permitir que seus filhos pratiquem um esporte que pode ser perigoso ou, pior, frívolo. De certa forma, a regra de coibir tatuagens é um microcosmo da interminável luta que o governo central enfrenta com suas lealdades às vezes em conflito com a modernidade e controle.

A regra pode ser mais onerosa para alguns jogadores do que para outros. É o caso do zagueiro Zhang Linpeng. A maior parte de seu corpo, incluindo a totalidade de ambos os braços, é fortemente tatuada. Ele vem jogando com uma camisa de compressão por baixo de sua camisa nacional na Copa da Ásia, embora tenha evitado cobrir as marcas na perna direita e no pescoço.

Outros jogadores têm menos trabalho; uma parte traseira ou panturrilha tatuada é geralmente coberta pelo uniforme de um jogador, enquanto uma parte menor de um desenho pode ser escondido sob um adesivo. (Zhang e outros conseguiram uma pausa: cobrir tatuagens não é obrigatório para as sessões de treinamento.)

A Federação Chinesa e os organizadores do torneio não querem falar sobre o assunto. Em uma coletiva antes do jogo com a Coreia do Sul, uma autoridade esportiva tentou encerrar uma pergunta sobre as tatuagens antes que o técnico italiano da seleção chinesa, Marcello Lippi, pudesse responder.

Depois que a questão foi reformulada, Lippi deu uma curta resposta diplomática, dizendo que não estava preocupado com o edital. O capitão da equipe, Zheng Zhi, sentado à direita de Lippi, reprimiu uma gargalhada, mas se recusou a comentar a questão. “Isso é apenas um detalhe; eu realmente não quero falar sobre isso”, disse Lippi.

Zhang, considerado um dos melhores jogadores da China, não atuou em dois jogos da seleção nacional após a proibição da tatuagem ter sido estabelecida. O motivo oficial foi uma lesão, mas fãs furiosos especularam na mídia social que a China havia sido arrasada o em partidas contra o País de Gales e a República Checa porque foi forçada a jogar sem Zhang, suspeito de ter sido afastado por causa de suas artes corporais.

 

 

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