Reprodução/Instagram
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China recorre ao talento brasileiro para buscar vaga na Copa do Mundo do Catar-2022

Com jogadores naturalizados, país tenta se tornar mais forte no futebol de seleções

Redação, AFP

11 de maio de 2020 | 08h00

Fernando, Ricardo Goulart, Elkeson, Alan e Aloisio comemoram com samba gol que garante a vaga na Copa do Mundo para a seleção chinesa. O texto é ficção, mas pode se transformar em realidade: o gigante asiático trabalha para ter um ataque brasileiro de alto nível que permita ao time nacional se classificar para Catar-2022. No momento, Elkeson é o único brasileiro nacionalizado que joga pela China. Mas o país mais populoso do mundo tem certeza de que um ataque brasileiro multiplicaria suas chances de disputar a Copa do Mundo pela segunda vez em sua história.

Além de Elkeson, outro naturalizado é Aloisio. Ele está no grupo que atualmente participa de uma concentração em Xangai, enquanto que Ricardo Goulart, Alan e Fernando estão perto de concluir a papelada que lhes permitiria jogar pelo país anfitrião. Goulart deixou o Palmeiras às pressas com essa proposta, além de voltar para o futebol do país.

Todos eles são nascidos no Brasil, com características ofensivas e que jogam no campeão da Super Liga Chinesa (CSL), o Guangzhou Evergrande, comandado pelo ex-craque italiano, o técnico Fabio Cannavaro, já eleito um dos melhores do mundo. Outro jogador do Evergrande, o inglês Tyias Browning, também poderia representar a China este ano. "Desde 2019, o Guangzhou Evergrande ajudou seis jogadores a ter sua carteira de identidade e o registro de residência regularizados", informou o Guangzhou Daily.

"Ao mesmo tempo, o Guangzhou Evergrande e a Federação Chinesa de Futebol promoveram ativamente a nacionalização de jogadores para se qualificarem para a seleção masculina de futebol", acrescentou. O Evergrande gastou 870 milhões de yuans (R$ 702 milhões) em transferências, salários e outros custos com esses seis jogadores, informou o Soccer News, citando como fonte o relatório anual do clube.

O Soccer News acrescentou que até sete jogadores nacionalizados podem usar a camisa da seleção chinesa este ano, na esperança de jogar a Copa do Mundo de 2022. O sétimo reforço é Nico Yennaris, nascido em Londres, do Beijing Guoan, que se tornou o primeiro naturalizado a jogar pela China quando estreou no ano passado. Ele até mudou de nome. Agora se chama Li Ke.

Ex-jogador do Arsenal e das equipes inglesas de categorias inferiores, o jogador de 26 anos, cuja mãe é chinesa, também costuma ser convocado ao lado de Elkeson e do novato Aloisio na seleção que atualmente está treinando em Xangai. Pela primeira vez com três naturalizados, a China não poderá organizar amistosos durante essa concentração, porque os jogos da seleção do país foram suspensos devido à pandemia de coronavírus. As Eliminatórias para o Mundial estão suspensas também.

Falta de gol

As esperanças da China de jogar no Catar-2022 já correm riscos. Marcello Lippi, o homem que levou a Itália ao título mundial em 2006, deixou o comando do time nacional em novembro depois de perder por 2 a 1 para a Síria, apesar da presença de Elkeson (cujo nome chinês é Ai Kesen) e Yennaris. A derrota deixou a China a oito pontos da liderança do Grupo A, embora tenha disputado um jogo a menos. O primeiro de cada chave se classifica para a fase seguinte, junto com os quatro melhores segundos colocados. Recrutar estrangeiros não é uma nova tática no futebol, mas, de acordo com especialistas, torcedores e ex-jogadores, é uma estratégia de curto prazo.

A mídia nacional chinesa optou por defender que, se melhorarem a equipe e conquistarem a vaga, os naturalizados merecem jogar. A China luta há anos para se tornar uma potência do futebol. Mas, no momento, está longe desse objetivo: sua única participação em Copas do Mundo foi em 2002 e se despediu com três derrotas em três jogos e sem ter marcado um único gol.

A aposta com os atacantes brasileiros responde à falta de jogadores efetivos na seleção. "Sem dúvida, os atletas naturalizados podem fortalecer a equipe nacional. Se eles tiverem a técnica, um senso de pertencimento à China e honra coletiva, poderão jogar", disse o técnico Lie Tie quando convocou Aloisio, de 31 anos.

Quem são os brasileiros

Fernando tem 27 anos e iniciou a carreira no Atlético Sorocaba. Ainda na base, foi para o Flamengo e também teve passagens por Madureira, Estoril-POR e em 2015 chegou ao futebol chinês pelo Chongqing Lifan, depois jogou no Guangzhou Evergrande e atualmente está no Hebei Fortune.

Ricardo Goulart tem 28 anos e antes do futebol chinês, passou pelo Palmeiras, Cruzeiro, Goiás, Internacional e Santo André, onde iniciou a carreira. Quanto a Elkeson, o atacante tem 30 anos e no futebol brasileiro defendeu o Vitória e o Botafogo. Ele está no Guangzhou Evergrande e antes havia atuado pelo Shanghai SIPG. Alan também tem 30 anos e passou por Guarani, Londrina, Fluminense, RB Salzburg-AUS e Tianjin Quanjian-CHI. Atualmente, está no Beijing Sinobo Guoan.

Aloisio é o mais velho dos brasileiros, com 31 anos. Ele joga no Guangzhou Evergrande e antes passou pelo Guangdong S. Tigers, Hebei China Fortune e Shandong Luneng, todos na China. No Brasil, defendeu Grêmio, Caxias, Chapecoense, Figueirense e São Paulo.

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