Reprodução/Facebook Marinho
Reprodução/Facebook Marinho

China restringe contratação de jogadores e deve afetar mercado brasileiro

Times com prejuízo não poderão comprar atletas por mais de 45 milhões de yuanes (cerca de R$ 22 milhões)

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 13h54

A Federação Chinesa de Futebol anunciou nesta quarta-feira que os clubes da primeira divisão que estão apresentando prejuízo não poderão contratar jogadores por mais de 45 milhões de yuanes (cerca de R$ 22 milhões) na próxima janela de transferências. A medida afetará a maioria das equipes a partir da próxima segunda-feira, quando o mercado será reaberto.

No dia 25 de maio deste ano, a CFA já havia anunciado a criação de um imposto de 100% na aquisição de estrangeiros pelos participantes da primeira divisão do país, como forma de reduzir os gastos milionários.

A entidade anunciou ainda um teto de 20 milhões de yuanes (R$ 9,7 milhões) para contratação de jogadores nascidos na China. Além disso, foi criado um dispositivo para transferências que envolvam clubes com os mesmos proprietários, como Jiangsu Suning e Inter de Milão, Chongqing Lifan e Granada. Mesmo que haja negociações por empréstimo, a equipe chinesa será taxada pelo valor da contratação do jogador.

A medida deve influenciar diretamente o futebol brasileiro.  Em 2016, o Corinthians sofreu um verdadeiro desmanche, perdendo Renato Augusto, Gil e Jadson. Na temporada passada, apenas o atacante Marinho, do Vitória, deixou o Brasil em definitivo, em um negócio de € 5 milhões (16,3 milhões). Ele foi defender o Changchun Yatai. Hyuri, do Atlético-MG, foi negociado por empréstimo com o Chongqing Dangdai.

Os brasileiros são maioria no Campeonato Chinês. Dos 505 jogadores disponíveis para disputarem o torneio, segundo o site Transfermarkt, 82 são estrangeiros, sendo 24 brasileiros. 

Os clubes europeus já haviam haviam apresentado uma proposta no começo do ano, na reunião de conselho da Fifa, para que fosse criado um "salary cap", uma espécie de teto para gastos para contratação e salários de jogadores.

"Para os times europeus, era uma maneira de se proteger econonomicamente de um mercado que vinha pagando muito mais do que eles. É um forma de manter a supremacia", afirma André Sica, advogado da CSMV Advogados e um dos principais especialistas do País em direito desportivo. 

Segundo Sica, o ímpeto chinês pode ser comparado ao desenvolvimento japonês nos anos 909. "Essas distorções criadas pela China são temporárias, vide o que aconteceu no Japão no início da década de 90. Por enquanto, a China vai continuar pagando esses valores absurdos enquanto os atletas não tiverem interesse de jogar lá. 99% deles vão única e exclusivamente pela questão financeira", completa.

 

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