'Chineses estão no caminho certo’, aposta Paulo André

Ex-zagueiro do Corinthians prevê que dentro de uma ou duas gerações China alcançará seus objetivos

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - Paulo André ainda não completou dois meses na China, mas já tem uma certeza: "Dentro de uma ou duas gerações os chineses terão um grande futebol". Em fevereiro, o jogador decidiu deixar o Corinthians depois de ser avisado que o seu contrato não seria renovado no fim do ano. Com uma proposta do Shanghai Shenhua, resolveu se lançar à Ásia. "O bom contrato de dois anos foi determinante na minha escolha."

O seu clube é o mesmo que em 2012 contratou o francês Nicolas Anelka e o marfinense Didier Drogba. Os atacantes desembarcaram na China recebendo aproximadamente 250 mil libras (R$ 940 mil) por semana cada. O retorno financeiro, no entanto, não atingiu o esperado pelo magnata dos jogos eletrônicos Zhu Jun, acionista majoritário do clube. Com salários atrasados, Anelka e Drogba deixaram o Shanghai Shenhua e voltaram para a Europa.

Agora, a realidade do clube é outra. Zhu Jun não faz mais "loucuras". A contratação de Paulo André é reflexo dessa nova fase. "Tudo é possível para os chineses. Há de se trabalhar a formação de novos atletas, mas eles estão no caminho certo", aposta o zagueiro. Nesse contexto, o ex-corintiano vê como uma das principais contribuições dos brasileiros aos chineses a mudança de comportamento dentro de campo. "Além da qualidade técnica, podemos inserir mentalidade vencedora e competitiva nos treinos e nos jogos."

Com acesso restrito à internet, Paulo André tem se dedicado às aulas de mandarim e a passeios por Xangai. Ele compara a cidade a Paris e a Nova York. "A arquitetura e a dinâmica são impressionantes. Xangai tem quase 30 milhões de habitantes e uma variedade gastronômica mais impressionante do que a de São Paulo."

O atacante Aloisio, que deixou o São Paulo em janeiro para defender o Shandong Luneng, também admite que o fator financeiro foi decisivo para a sua transferência. "Estava muito feliz no São Paulo e não queria sair, mas a proposta foi muito boa tanto para mim quanto para o clube. Não podíamos deixar passar porque na vida temos de aproveitar uma chance como essa. Não pensei só em mim, mas na minha família e resolvi encarar esse desafio."

Ao contrário de Paulo André, Aloisio mora em uma cidade não tão agitada (Jinan). Sua rotina se resume basicamente a treinos e jogos e, nas horas vagas, ele fica em casa. "Ainda me sinto um pouco perdido, estou conhecendo uma nova cultura, novos costumes, que são bem diferentes dos nossos e não é fácil. Mas, aos poucos, vou me adaptando por aqui." Após passagens por Avaí, Coritiba e outros clubes, o meia Davi está no Guangzhou R&F desde 2012. E diz que os prêmios por vitória são um dos principais atrativos financeiros. "Os bichos pagos por aqui são muito altos, até fora dos padrões europeus."

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