Chip na bola? Tenha a santa paciência!

Estádio lotado, afinal o jogo é decisivo. Lá pelas tantas, o atacante fica cara a cara com o goleiro, mas o sopro de um apito interrompe o lance que poderia decidir o resultado. Alguns poucos segundos depois, um forte chiado, que logo transformou-se em vaia, toma conta da arena. Munidos de telefones celulares, todos os presentes já sabiam, depois de assistirem ao replay em seus aparelhos ou receberem ligação de algum conhecido que acompanhava a partida pela televisão, que a marcação da arbitragem foi equivocada.

Wagner Vilaron,

27 de outubro de 2011 | 09h01

Moral da história: diante dos avanços cada vez mais rápidos da tecnologia, o árbitro, justo ele que é considerado a "autoridade máxima" no campo e que carrega a responsabilidade de definir o destino de um título e de uma classificação com o simples assoprar de um apito, tornou-se o único personagem dentro daquele estádio a não ter acesso ao recurso tecnológico.

Entendo que este exemplo já seria mais do que suficiente para justificar minha posição favorável à utilização da tecnologia como suporte para a arbitragem. Mas o problema não acaba aí.

A partir do momento em que o erro é constatado, o árbitro e seus auxiliares ficam expostos a todo tipo de pressão. Pelo celular, treinadores são avisado sobre a falha. A informação logo chega aos atletas que, obviamente, fazem questão de lavá-la ao juiz. Além disso, existe a própria crise de consciência do profissional que, ao sabe do equívoco, certamente ficará abalado no decorrer do trabalho, cenário propício a novos erros.

Respeito eventuais manifestações contrárias, mas tenho séria dificuldade em aceitar que justamente aquele que toma as principais decisões seja quem menos tem acesso aos recursos que minimizam chances de erro. Trata-se de uma gigantesca covardia. E o argumento de que a graça do jogo está nas discussões que sucedem situações como essa é de uma fragilidade absurda. Afinal, que competição é essa que valoriza mais o erro do que a Justiça?

Diante do exposto, aproveito para fazer um pedido, ou melhor, um apelo aos integrantes da International Board, a entidade fundada em 1886 e que tem a responsabilidade de zelar/mudar as regras do futebol. Por favor, abdiquem dos paliativos.

Ninguém aguenta mais essa conversinha de chip na bola, mais trocentos auxiliares no gramado, fiscais de arbitragem, ou seja, uma série de medidas que tentam enganar a opinião pública ao passar a impressão de que soluções são estudadas, mas que na prática nada resolvem. Fingem acelerar quando o que querem mesmo é puxar o freio de mão.

Mais uma queda. A enorme pressão sobre o ex-ministro Orlando Silva e o constrangimento no qual sua figura se tornou para o Palácio do Planalto davam como favas contatadas sua queda. Era, como foi, questão de tempo. E pelo andar da carruagem, o presidente da CBF e do COL da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, deve ser o próximo alvo das autoridades.

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