Christian pede paciência à torcida

Pouco à vontade, o atacante Christian foi apresentado hoje pela diretoria do Palmeiras como novo reforço do clube. Curiosamente, ao contrário do que ocorre com a grande maioria dos jogadores, fez questão de não ser hipócrita e recusou o pedido dos fotógrafos para beijar a camisa alviverde, na Academia de Futebol. "Prefiro chegar de maneira discreta, é uma superstição que tenho de não beijar a camisa", justificou.Preocupado com a irritação dos torcedores pela demora do desfecho da negociação, o atleta pediu paciência e disse que, em nenhum momento, desrespeitou as tradições do clube. Ele já foi avisado da fama da Mancha Alviverde, que não dá sossego aos jogadores que não se empenham ou fazem "corpo mole". Por isso, sua primeira missão foi implorar por paz. "Sei que a Mancha Alviverde é muito forte e não quero problemas, só apoio para poder compensar em campo com gols. Espero que eles não peguem no meu pé".A declaração de seu pai, Rogério Dionísio, nos últimos dias, de que Christian jogaria no Grêmio e não no Palmeiras - o jogador chegou a discutir com os dirigentes do clube gaúcho, que quase ´atravessaram´ a transação - não foi bem aceita pelos torcedores, principalmente pela Mancha Alviverde. Paulo Serdan, presidente da torcida uniformizada, afirmou que sua responsabilidade cresceu muito e que agora ele terá de ser um astro para compensar todo o "teatro" que foi sua chegada ao Palestra Itália.O atleta não conseguiu esconder que estava assustado com a dimensão que o caso ganhou e com o batalhão de repórteres que o esperavam na Academia de Futebol. Mesmo assim, confirmou, em parte, o que seu pai havia declarado. A vontade era mesmo de jogar em Porto Alegre. "Para mim seria melhor, porque ficaria do lado da minha mãe, do meu filho, depois de dois anos fora do Brasil", comentou ele, que estava no Bordeaux, da França.Em alguns momentos, chegou a ficar irritado com a repetição das perguntas sobre a novela que foi sua transferência para o Palmeiras, mas fez questão de atender a todos com muita paciência. Tanto que foi o último a deixar as instalações do clube. Christian, que completará 27 anos em abril, ainda não poderá estrear no domingo, às 16 horas, contra o Botafogo-RJ, no Rio, porque não haverá tempo para que sua documentação seja regularizada. Na próxima semana, porém, ele deverá estar à disposição do técnico Vanderlei Luxemburgo. O treinador deixou claro que pensa em formar uma dupla de ataque Christian-Itamar, pois os dois têm características de jogo diferentes e poderiam "se completar" em campo. Assim, o colombiano Muñoz pode perder a vaga na equipe.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2002 | 19h28

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