Chulapa de volta a uma decisão

Serginho Chulapa fez o gol do último título por pontos corridos conquistado pelo Santos. Foi no Campeonato Paulista de 1984. Agora, vinte anos depois, ele pode novamente ser campeão pelo time alvinegro. Chulapa é auxiliar-técnico de Vanderlei Luxemburgo. E tem um orgulho indescritível disso. "Sou auxiliar do melhor treinador do Brasil. Digo e repito: o Vanderlei é o melhor, disparado". Tanta admiração assim vem da maneira como Luxemburgo arma taticamente suas equipes e, principalmente, como ele lida com os jogadores. "Nunca vi nada igual. O comando que o Vanderlei tem sobre os outros é impressionante", diz.Chulapa conta que ainda não tem idéia do que fará no ano que vem. Não sabe se continua como auxiliar de Vanderlei ou se retoma a carreira de técnico, iniciada no próprio Santos, há dez anos. "O que sei é que, hoje, sou outra pessoa. Aprendi muito com o Vanderlei. Adquiri uma experiência que nem tenho como descrever. Ele é fantástico".Tanta idolatria parece até demasiada. Serginho discorda. Tem razões pessoais para isso. "O Vanderlei me resgatou para o futebol. Há mais de um ano eu andava esquecido, meio que afastado do esporte profissional. Eu estava trabalhando numa escolinha de futebol de uma cooperativa, em São Paulo. Quando o Vanderlei me chamou para trabalhar com ele no Santos, fui correndo. Sabia que seria uma experiência incrível. E, de fato, esses quatro meses têm sido fantásticos", diz Serginho. "Eu sinto como se estivesse renascido para o futebol", emenda ele, que chegou a ter uma rápida passagem pelo Fernandópolis, time da quinta divisão paulista, este ano.Nos treinos do Santos, o trabalho de Chulapa é dar suporte aos atacantes. Posicionamento, finalizações e a "mandinga" do futebol são algumas das coisas que ele ensina. "Não gosto de falar que dou conselhos. O que eu faço é ajudar. Converso com os jogadores, procuro entender o que eles estão passando, o que precisam, enfim. Meu trabalho é quase o de um psicólogo".Nos jogos, Serginho fica, preferencialmente, no local mais alto do estádio, geralmente num camarote, observando a variação tática das duas equipes e passando instruções para Luxemburgo pelo rádio. "É uma tarefa muito mais complicada que jogar. Fico mais nervoso. Quando eu era jogador, ia lá para o campo e tentava resolver. Agora não dá para entrar e jogar. E a angústia é muito maior", conta ele.Serginho vê muitas semelhanças entre o título paulista de 84 e o brasileiro que o Santos pode conquistar neste domingo. Naquele ano, o Peixe também chegou à última rodada com um ponto à frente do segundo colocado. Em 84, foi o Corinthians. Agora, o Atlético Paranaense. "A única diferença é que jogávamos pelo empate, já que foi o próprio Corinthians que enfrentamos na última rodada", diz Chulapa, autor do único gol daquela partida.Uma outra e muito mais curiosa semelhança une as equipes de 84 e 2004. "Assim como agora, também tivemos um jogador com um grave problema pessoal", diz Chulapa. Ele se refere ao volante Paulo Isidoro, cujo pai faleceu dois dias antes da decisão contra o Corinthians. "Todos ficaram na dúvida se o Paulo Isidoro iria ou não jogar. Mas ele acabou jogando. E agora temos o Robinho, que também teve um problema grave (o seqüestro da mãe), mas que voltou para nos ajudar na última partida". Com tantas semelhanças, Chulapa só espera que o final também seja feliz. "Agora só falta o título para coroar o nosso trabalho, como em 84".

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