Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Chulapa vê semelhanças com Deyverson e aprova estilo do palmeirense

Polêmicas, irreverência e canhota marcante aproximam jogador do Palmeiras e ex-goleador do São Paulo e do Santos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2018 | 05h00

Deyverson ocupa um espaço que estava vago no futebol brasileiro, dentro e fora de campo. É um centroavante canhoto, característica que dificulta a marcação de qualquer zagueiro. O domínio e finalização são invertidos, fora dos padrões, pois quase todos os atacantes são destros. Ele se destaca também pelo faro de gol e pela facilidade no jogo aéreo, não necessariamente pela técnica. Também é irreverente, polêmico, provocador e imprevisível, novamente fora dos padrões.

Todo esse diagnóstico foi feito por Serginho Chulapa, ex-atacante do São Paulo e do Santos e hoje auxiliar técnico do time da Vila Belmiro. Chulapa fala de Deyverson, mas fala de si ao mesmo tempo. O ex-craque vem sendo lembrado com frequência por torcedores e comentaristas diante das estripulias de Deyverson e reconhece que as comparações fazem sentido. O palmeirense atualiza o estilo de Chulapa.

As comparações se estendem também às encrencas. “Ele arrumou algumas pequenas confusões, mas quem sou eu para falar. Não sou o mais indicado”, brinca Chulapa.

Talvez fique mais fácil entender bem o que diz o ex-atacante com um exemplo. No clássico diante do Corinthians, Deyverson piscou ironicamente para o banco de reservas rival quando foi substituído. Obviamente, criou confusão. Ele conseguiu ser suspenso ao mesmo tempo nos três torneios que o Palmeiras disputava (Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores). Felipão já recomendou que ele tome um chá de maracujá antes dos jogos para ficar mais calmo.

As confusões de Serginho eram mais estrondosas. Só um exemplo: na final do Campeonato Brasileiro de 1981, no Morumbi, Chulapa foi expulso aos 43 minutos do segundo tempo após empurrar o goleiro Emerson Leão. Revoltado com o cartão vermelho, o camisa 9 foi até o goleiro, que estava caído, para pedir desculpas. Ele se abaixou e chutou de leve a cabeça do goleiro. Confusão ainda maior.

Dentro de campo, o estilo dos dois é parecido. Mais força que técnica, precisão no jogo aéreo e um jeito “chato” de jogar. “O Deyverson teve um início ruim no Palmeiras, mas foi pegando confiança. É um jogador que está em falta hoje. Está em um grande momento”, elogia Chulapa. “Ele é forte, alto, deve ter quase a minha altura (1,95m)”, compara o santista. Deyverson tem 1,88m.

Apesar de todas as semelhanças, Deyverson e Chulapa têm diferenças profundas no currículo. Aos 27 anos, o palmeirense teve boa passagem pelo Alavés, da Espanha, chegou a fazer gol no Barcelona de Messi, mas ainda busca se firmar no futebol brasileiro. Ele vem sendo escalado como titular no Brasileiro, anotou sete gols, mas ainda é o reserva do colombiano Borja.

Chulapa foi o maior artilheiro da história do São Paulo, com 242 gols, e terceiro maior goleador do Santos depois de Pelé, com 104 (os dois primeiros são Neymar e Robinho).

 

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