Cicinho se prepara para ser pastor

Cícero João de Cezare, lateral direito do São Paulo, é conhecido como Cicinho. Por ora. Daqui a dez, 12 anos, quando for um ex-jogador de futebol, gostaria de ser conhecido como Pastor Cícero, da Igreja Batista. "Peço a Deus que me escolha para levar a Sua palavra a todos os cantos", conta o jogador de 23 anos.Ele está se preparando. Fez contato com um pastor, indicado por Lúcio Flávio, armador do São Caetano, e vai se dedicar a estudos da Bíblia. "Meus companheiros de estudos serão o Flávio, goleiro do São Paulo, e um júnior do Palmeiras, que ainda não conheço. Ele também é amigo do Lúcio Flávio."Assim que se sentir mais preparado, Cicinho pretende fazer de seu apartamento no CCT do São Paulo uma sala de orações. "Não vou impedir a entrada de ninguém. Pode vir católico, evangélico, gente de toda religião. O que interessa é escutar a mensagem de Deus." E ateus? "Lógico, esses é que precisam mais."O jogador leva o ecumenismo a sério. Mirela, sua namorada, é católica, o que não impede um bom entendimento. "Nós conversamos muito e o que interessa é ter uma vida decente. Em Pradópolis, a minha cidade (perto de Ribeirão Preto), não existe a Igreja Batista e quando estou lá, freqüento a Igreja Católica mesmo. O importante mesmo é rezar."Cicinho reza antes do início das partidas. Não pede a vitória. Apenas que nenhum dos jogadores (não interessa o time) se contunda. Diariamente, reza pelo menos uma hora: ao acordar, na hora de descanso e antes de dormir, durante pelo menos 20 minutos. A conversão foi há dois anos, no Atlético. "Quando jogava mal, eu afogava as mágoas bebendo cerveja. Se a gente ganhava, a festa era com churrasco e mulherada. Depois, fui conversando com o Lúcio Flávio e percebi que a vida não é só isso. Hoje, tenho muito mais confiança no meu futuro."A vida dele está nas mãos de Deus. Não acredita em destino e nem em livre arbítrio. Tudo acontece porque a vontade divina decidiu. Até uma pedra no rim expelida na urina. "No dia 7, a gente jogou contra o Alianza Lima. Acordei com muitas dores e fui para o hospital, das 9h às 15h. O médico já havia decidido que eu não jogaria, mas orei muito e Deus me ajudou. A pedra saiu e eu pude jogar."Cicinho explica que não deseja o fim da medicina. "Os médicos são instrumentos de Deus. Ele cura através deles. Por isso, sempre haverá médicos."O filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, que conta as últimas 12 horas de Jesus Cristo, impressionou muito o jogador. "Cheguei a chorar. É difícil resistir. A Bíblia fala do sofrimento de Jesus e a gente percebe no filme como ele se doou para nós."Tamanha devoção não faz com que Cicinho embarque na onda de intolerância da qual o filme é acusado. "O filme coloca a culpa nos judeus, mas a gente não pode esquecer que Jesus poderia ter se salvado. Ele quis morrer para que todas as pessoas se amassem e a gente não deve ficar discutindo quem foi o culpado pela morte Dele. Tem é de praticar o que Ele ensinou."

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