Cientista alemão diz que o 'gene de craque' não existe

'Não há nem haverá um teste para detectar o gene de Cristiano Ronaldo', diz Henning Wackerhage

EFE

04 de maio de 2008 | 15h09

O "gene de craque do futebol" não existe, e tentar buscar sucessores para os grandes astros do esporte através de análises genéticas é absurdo, afirma o especialista alemão em medicina esportiva Henning Wackerhage.  "Não há nem haverá um teste para detectar o gene de Cristiano Ronaldo", diz o cientista à revista Der Spiegel, da Alemanha, sobre uma encomenda que ele teria recebido de um clube europeu que quer utilizar recursos da genética para encontrar novas estrelas.  Segundo a revista, o pedido seria precisamente encontrar o "próximo Cristiano Ronaldo", mas o professor lembra que, além dos imperativos científicos, existem os trabalhistas.  "Seria inaceitável que um patrão analisasse geneticamente seus empregados", afirma. "Um grande jogador precisa de condições cerebrais, noção de bola, condição física e uma série de coisas nas quais entram em jogo cerca de 500 genes", diz Wackerhage.  No entanto, o professor na Universidade de Aberdeen, na Escócia, não descarta que "teoricamente" a busca genética pudesse funcionar em outros esportes onde entram em jogo menos fatores, como na corrida de 100 metros rasos.  "Quem não tem uma cópia intacta do gene ACTN 3 dificilmente será um velocista de elite", diz Wackerhage. Segundo ele, as análises genéticas podem ajudar a detectar a tendência de jogadores a ter uma determinada lesão ou, em caso de maratonistas, avaliar questão cardíacas que podem levar, por exemplo, a um enfarte.

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