Cesar Greco/Palmeiras
Cesar Greco/Palmeiras

Cinco motivos que explicam o bom momento do Palmeiras na temporada

Equipe do técnico Abel Ferreira lidera o Campeonato Brasileiro e está nas oitavas de final da Libertadores e da Copa do Brasil

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2022 | 20h00

O Palmeiras cresce um pouquinho a cada temporada, desde 2015, quando se propôs a rever seu elenco, alguns conceitos no clube e sua forma de gerir o clube. O futebol se beneficiou disso e aprendeu a tirar proveito. Tem perdido e vencido partidas e campeonatos, mas está sempre lutando por títulos, tentando jogar melhor, deixar os defeitos de lado e se aprimorar dentro de campo. Mesmo a despeito da baixa qualidade de alguns rivais, o time faz a sua parte e não se acomoda em cima dos títulos nem deixa o ciclo acabar. Vai renovando seu grupo sem com que ele perca a competência e a competitividade. Não há nada garantido nos 90 minutos.

Mas o time não entrega os pontos. Tem uma gestão que olha para o futuro, uma comissão técnica longeva, jogadores com apetite de ganhar e uma torcida que confia. A comunhão é boa. Não sei o que vai acontecer. Mas o símbolo que tenho aqui nos obriga a jogar para ganhar e em cada competição entrar para disputar o título. "Se vamos ganhar o Brasileirão, a Libertadores, a Copa (do Brasil), não sei. O que nossos torcedores podem estar sossegados é que vamos fazer o melhor que pudermos", disse Abel Ferreira. O Estadão relacionou alguns tópicos para tentar explicar a boa fase do Palmeiras. 

COMPROMETIDOS

O elenco está fechado e comprometido com o técnico Abel Ferreira, dos mais jovens aos consagrados, aqueles que têm mais tempo no clube aos recém-chegados. Dois jogadores que estavam na seleção brasileira, Weverton e Danilo, voltam da Ásia e não perderam tempo. Foram treinar no dia que desembarcaram, mesmo invadindo a noite no Brasil. Viraram a chave para vestir a camisa do Palmeiras. O meia Raphael Veiga, machucado, acompanha no Allianz Parque os jogos da equipe, mesmo estando fora da lista dos relacionados pelo treinador. Ninguém cria caso quando é substituído. Esta fase ficou para trás. Dudu fez questão de dizer isso quando foi tirado de alguns jogos e viu seu nome envolvido em discussões nas redes sociais. Ele não gosta de sair, ninguém gosta, mas levou numa boa e tratou a situação.

SEM SE ACOMODAR COM AS CONQUISTAS

Abel Ferreira tem o vestiário nas mãos e não enfrenta resistências em suas escolhas, tampouco nas maneiras de formatar o time. Ele tem apontado os jogadores como destaques por algumas vitórias e boas apresentações. Também tem pensado o time para atuar de maneira diferente, ora mais forte pela direita, ora pela esquerda. Tem ainda dado mais liberdade para os laterais e para Zé Rafael, que aparece como homem surpresa mais do que em outras temporadas. Isso também tem a ver com o bom desempenho na marcação com Danilo, uma grata surpresa deste ano. As viradas de bola são constantes, como ensina Pep Guardiola no seu livro Confidencial, que trata de sua experiência no Bayern de Munique. Abel não deixa o elenco se acomodar nem sentar em cima das conquistas do passado.

APETITE EM CAMPO

O Palmeiras tem apetite por vitórias e conquistas. Entrou nessa "vibe" de ganhar partidas e festejar campeonatos como fazia tempo não se via. Não é apenas querer, porque isso, todos os times querem. O que acontece com o Palmeiras é saber o caminho e não perder essa disposição de trabalhar para ganhar tudo. As decisões amadurecem os atletas e elencos. Quanto mais se joga em finais, mais se aprende e se ganha confiança. Quem não se lembra do Palmeiras que "tremia" nas decisões, que perdia troféus nas disputas de pênaltis e que não conseguia se colocar no lugar mais alto. Quando passou a ganhar e a manter seus melhores atletas, o time engrenou. O Palmeiras tem essa bagagem e vem mostrando isso nesta temporada, nas três competições que joga depois de ganhar o Paulistão.

PLANEJAMENTO CONSTANTE

A diretoria de futebol aprendeu a planejar, não para a temporada que está sendo jogada, mas para a próxima, com calma e tempo. Isso mesmo. As contratações que o clube faz neste ano visam fortalecer o time em 2023. Ninguém chega com a pecha de  "Salvador da Pátria", como se vê em outros times. O jogador contratado tem um tempo de ambientação, de conhecimento dos companheiros e da comissão técnica, do próprio clube e sua história. Da mesma forma, nenhum jogador machucado pula etapa para retornar, como aconteceu com o zagueiro Luan, que vem atuando bem e só voltou a jogar após recuperação clínica. Da mesma forma, Raphael Veiga deixou o time machucado. Não vai voltar antes do prazo. Scarpa tem feito sua função e dado conta do recado. Quando um jogador é dispensado, como ocorreu com Felipe Melo e Patrick de Paula, outros já estão treinados para não deixar o time perder potência.

TREINADOR LONGEVO

Quando contratou Abel Ferreira, um português desconhecido e sem título, o Palmeiras apostou, como fizeram muitos clubes em relação aos técnicos estrangeiros. Abel perdeu títulos de forma vexatória, como o Mundial de Clubes da Fifa em 2021, sem ganhar uma única partida. Mesmo assim, foi mantido no cargo porque havia uma convicção de que ele tinha potencial, como muitos treinadores que também tem, mas que não contam com o apoio de jogadores e dirigentes. Quando não vão bem, perdem o emprego, como aconteceu semana passada com Paulo Sousa no Flamengo. Abel conseguiu mostrar seu trabalho com o tempo e, mais ainda, suas ideias. E caiu nas graças de muita gente. Alia boa gestão e boas partidas com vitórias e conquistas. Isso faz diferença no futebol. Ter tempo para trabalhar. É a chave do sucesso, no Palmeiras e em qualquer outro lugar.  

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