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Cinco problemas que Dunga tem de resolver nas Eliminatórias

É preciso uma solução para acabar com a Neymar dependência

O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 07h00

Dunga encerrou nesta terça-feira a série de testes com a seleção brasileira. Em dois amistosos, venceu os dois. Fez 1 a 0 na Costa Rica e 4 a 1 nos Estados Unidos. Em outubro o desafio é o início das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, Na primeira rodada, o Brasil enfrenta o Chile em Santiago e a Venezuela em Fortaleza. Nas duas partidas não contará com Neymar, suspenso pelos atos de indisciplina na Copa América disputada no Chile.

A tarefa de levar o Brasil ao Mundial da Rússia não será nada fácil. Dunga ainda não reorganizou a seleção, nem conseguiu tirar o time a dependência extrema de Neymar. Veja os cinco problemas mais difíceis que o treinador tem de resolver para garantir a vaga na Copa do Mundo.

1. NEYMAR DEPENDÊNCIA

Com o astro, todo o time joga em sua função. Os jogadores sabem que, nos momentos mais difíceis, é só jogar a bola para o craque resolver. Sem Neymar, a seleção não tem ideias e vive da correria nos contra-ataques com bolas esticadas para Douglas Costa na esquerda ou Willian na direita. A solução seria dar poder a um meia de criação. Lucas Lima, do Santos, testado nos dois amistosos, quase não fez a bola circular. Criou pouco e se deixou levar pela burocracia. Não foi aprovado.

2. VOLANTES PRESOS

Na concepção tática de Dunga, os volantes têm de ficar presos na marcação. São proibidos  de avançar além da linha divisória do campo. Luiz Gustavo e Fernandinho, que se reveza com Elias na escalação, não acrescentam nada ma saída de bola. Quando o Brasil enfrentar uma seleção que joga com marcação avançada vai precisar dos volantes para sair do campo de defesa com qualidade. Não é o caso de Luiz Gustavo, muito menos de Fernandinho. Elias na seleção joga na mesma função que executa e bem no Corinthians.

3. REFÉM DE FELIPÃO

Dunga preservou quase 70% dos jogadores que Felipão levou à Copa de 2014. Na defesa, trocou apenas Thiago Silva por Miranda. E aposentou o goleiro Julio Cesar. Insiste com Willian, Oscar e Ramires (dois últimos desconvocados nos amistosos por lesão) e ainda resgatou Hulk. Quando se liberta desses jogadores, como no segundo tempo no amistoso com os Estados Unidos, a seleção ganha em qualidade e lucidez. Lucas, Rafinha e Neymar, é claro, mudaram o jogo nesta terça-feira.

4. ESQUEMA DE JOGO

A seleção de Dunga joga quase sempre no erro do adversário. Se fecha em copas lá atrás e dispara nos contra-ataques em ligação direta, não existe a transição, a jogada coordenada com começo, meio e fim. Quando muda o esquema, com jogadores mais propensos ao toque de bola, troca de passes e inteligência, a seleção chega com facilidade na zona de gol do inimigo. Nas Eliminatórias, o Brasil não vai se deparar com franco-atiradore abertos aos contragoples. A saída seria trocar o contra-ataque pelo futebol insinuante de troca de passes, tabelinhas e dribles, a essência do futebol brasileiro.

5. FALSO CAMISA 9

Na Copa do Mundo de 2014 Fred não funcionou. Sem mobilidade e isolado na área, foi pouco acionado. Na Copa América no Chile, Dunga apostou no jovem Roberto Firmino e não deu certo. Nos dois amistosos contra Costa Rica e Estados Unidos, o eleito para esta função foi Hulk. Ele fez dois gols, mas esbarrou na falta de traquejo para trocar passes e escorar os zagueiros para quem vem de trás. Hulk só funciona quando é preciso ter força. Dunga precisa tomar uma decisão: ou aposta no camisa 9, jogador raro hoje no Brasil, ou vai com um “falso 9” nas Eliminatórias da Copa de 2018.

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