Rodrigo Gazzanel/Futura Press
Rodrigo Gazzanel/Futura Press

Cinco razões para entender a crise sem fim da Portuguesa

Time do Canindé é rebaixado para a Séria C do Brasileiro depois de temporadas ruins e de má administração sobretudo no futebol

O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 14h34

A Portuguesa já foi mais representativa no futebol de São Paulo, com temporadas de sucesso também pelo Brasil dos grandes clubes. Jogadores importantes já vestiram a camisa do time do Canindé, como Djalma Santos, Servílio, Leivinha, Badeco, Enéas, Ivair, Dener, Rodrigo Fabri, Zé Roberto. A Lusa disputou com o Grêmio o título do Brasileirão de 1996. Era a quinta força de São Paulo e o caminho natural de jogadores preteridos pelo trio de ferro e o Santos.

Sua torcida também já foi mais presente, barulhenta. O Canindé, palco de jogos interessantes, já teve dias de casa cheia. Sua diretoria, por vezes, conseguia fazer boas administrações, sem se preocupar com as contas no fim do mês. Esse cenário não existe mais no Canindé, onde o clube está praticamente abandonado, o torcedor inexiste e o dinheiro chega a conta-gotas. O resultado de tudo isso todos conheceram nesta terça-feira: a Portuguesa foi rebaixada da Série B do Brasileiro para a Série C. Conheça cinco motivos que podem explicar o 'apequenamento' da Lusa nos últimos anos.

1. Elencos fracos

A bola de neve das crises financeiras faz com os clubes, de modo geral, montem elencos fracos, formados de jogadores medianos, com uma ou outra aposta. A Lusa já teve em suas fileiras jogadores convocados para a seleção e pretendidos por times importantes. A fragilidade em campo é o principal motivo do rebaixamento de uma equipe.

2. Crise financeira

Todos os clubes sofrem com ela, alguns mais, outros menos. A Portuguesa não conseguiu encontrar um caminho para conseguir pagar seu custo mensal, atualmente três vezes maior do que suas receitas, de modo a só fazer aumentar sua dívida. O desafio do futebol nesse momento é pagar suas contas com o que entra, sem se endividar.

3. Má administração

É inegável que a Lusa passou por más administrações em todos os seus setores, do social ao jurídico, atingindo o futebol, que sempre sustentou o Canindé. Escalar um jogador irregular, como ocorreu com Hevérton, é apenas uma das consequências desse trabalho ruim. O técnico Benazzi também reclamou em reportagem do Estado desta quarta-feira o amadorismo da diretoria, valendo-se de profissionais que não conheciam o funcionamento do futebol.

4. O abandono da torcida

A torcida da Portuguesa nunca foi de lotar o Canindé, mas também nunca foi tão ausente, entregando a necessidade de apoiar o time para poucos. O clube sempre teve vida em dias de jogos e fins de semana, quando o treinamento da equipe acontecia no estádio, sobretudo sábado de manhã. Com o tempo, isso foi minguando, morrendo. E nem os bolinhos de bacalhau animavam mais o fiel torcedor. Dessa forma, uma pequena fonte de dinheiro também secou.

5. Empobrecimento das bases

Jogar nas categorias de base da Portuguesa já foi o sonho de muitos garotos. A Lusa era especialista em revelar jogadores, mesmo não tendo uma estrutura adequada para a garotada, isso bem antes da construção do CT do Parque Ecológico do Tiete. O Canindé fervilhava de meninos bons de bola, já foi até uma das forças da Copa São Paulo de Juniores. Nem isso restou. A diretoria, reza a lenda, também sempre foi dura para negociar suas revelações, perdendo dinheiro e a chance de fazer mercado.

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