Etienne Laurent/EPA/EFE
Etienne Laurent/EPA/EFE

'Cirúrgica', França derruba Bélgica com menos posse de bola

'Azuis' ficaram apenas 40% do tempo com a bola nos pés e deixaram a equipe de Roberto Martínez trocar passes em sua defesa

Beto Silva, especial para o Estado

11 Julho 2018 | 00h05

A França foi "cirúrgica" ao acabar com o sonho da Bélgica de chegar a uma final de Copa do Mundo pela primeira vez em sua história e quebrar uma longa invencibilidade de 24 jogos da equipe rival, comandada pelo técnico Roberto Martínez. A vitória dos franceses por 1 a 0 nesta terça-feira, em São Petersburgo, pela semifinal do Mundial da Rússia, foi construída com menos posse de bola, boa marcação e ataque eficiente.

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O time montado por Didier Deschamps ficou apenas 40% do tempo com a bola nos pés. Deixou a Bélgica trocar passes em sua defesa e deu combate a partir da intermediária, o que dificultou o trabalho dos meias Hazard e De Bruyne. O perigoso atacante Lukaku ficou isolado entre os defensores franceses.

Com os espaços reduzidos para criação de jogadas, a talentosa "geração belga" não conseguiu colocar em prática o que faz de melhor, que é envolver o adversário com passes rápidos, verticais e em profundidade. A maioria dos 630 passes trocados entre os jogadores foi para os lados.

Ao contrário da França, que executou seu plano de jogo com maestria. Roubava a bola - foram 44 retomadas no jogo - e partia com velocidade para o ataque com Pogba, Griezmann e Mbappé. As ações terminavam em conclusões, que assustavam o goleiro Courtois ou exigiam do arqueiro boas intervenções. Trocou bem menos passes, 342 no total, porém, mais efetivos e agudos.

O gol da vitória saiu de bola parada, após cobrança de escanteio que Umtiti desviou de cabeça. Mas poderia sair um alguma outra das 19 tentativas francesas ao gol belga, cinco delas no alvo e oito para fora. Seis foram bloqueadas. A Bélgica arrematou menos da metade das vezes: nove, sendo apenas três na baliza de Lloris.

A equipe de Deschamps não precisou parar o ataque da Bélgica com falta. Foram apenas seis dos "azuis" no jogo. O artifício de brecar as jogadas com falta foi usado pelo time do técnico Martínez, que cometeu 16 infrações na partida, grande parte para evitar os contra-ataques da França. Exatamente o que o Brasil não fez no segundo gol belga, nas quartas de final do Mundial.

Enquanto a Bélgica teve seu sonho adiado e a invencibilidade pulverizada, a França chega à sua terceira final em seis Copas do Mundo disputadas desde 1998. Ganhou uma - há 20 anos, com 3 a 0 sobre o Brasil - e perdeu outra - para a Itália nos pênaltis, em 2006.

Agora, tem a chance do bicampeonato no domingo, às 12 horas (de Brasília), em Moscou, contra o vencedor de Croácia e Inglaterra, que jogam nesta quarta-feira, às 15 horas, na capital russa. Já os belgas disputam o terceiro lugar - que seria sua melhor colocação na história - contra o perdedor do duelo entre croatas e ingleses.

 

 

 

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