Citadini avisa que não vai ficar calado

Os integrantes da nova parceira do Corinthians, a MSI, terão de se acostumar com uma pedra impossível de retirar do caminho até o término do contrato com o clube. Em entrevista para a Agência Estado, o vice-presidente de futebol Antonio Roque Citadini, principal opositor à união, garante que está muito enganado quem pensa que ele vai se afastar do cargo. Agência Estado - Qual será seu posicionamento durante a vigência do contrato entre MSI e Corinthians? Citadini - Ficarei como estou. Sou vice-presidente eleito, ninguém pode me tirar do Corinthians. Vou ser como sou hoje, dar palpite em tudo que é tema ligado ao futebol, me meter nos assuntos, não vou ficar quieto. AE - O senhor aceitaria participar do conselho que será criado (dois membros do clube e dois da MSI, que teria o voto decisivo) para administrar o departamento de Futebol? Citadini Na minha opinião, o Dr. Alberto (Dualib, presidente do Corinthians) deveria indicar dois funcionários, sem nenhum dirigente. Até porque a MSI vai determinar tudo sozinha, nem vai precisar do conselho. AE - A contratação de Carlos Tevez, do Boca Juniors, por US$ 19,5 milhões, e a vinda de outros reforços não é uma derrota para a oposição? Citadini - Não tenho a menor dúvida de que a curto prazo essa parceria será benéfica. Chegarão bons jogadores, o time ficará forte, ganharemos títulos. Por um ano vamos bem, mas e nos outros 9? Estamos na fase rósea do acordo, onde tudo é maravilhoso. Quero ver quando surgirem os problemas. AE - Quais suas principais críticas ao acordo? Citadini - O contrato é ruim, perdemos a autonomia e, o que é pior, na primeira dificuldade que ocorrer virão bater na porta do Corinthians, não da MSI. Em futebol é assim. Se o Kia (Joorabchian) amanhã deixar de pagar o salário de um jogador, os responsabilizados seremos nós, não interessa para a Justiça que o clube adotou um parceiro. Ninguém percebeu isso ainda. AE - O que o Corinthians fará com o eventual lucro que receberá da MSI nos próximos 10 anos? Citadini - Temos de construir nosso CT no Parque Ecológico, investir nas categorias de base. Porque, além dos craques trazidos, tem de se formar atletas. E o contrato não prevê isso. Vão só comprar e vender para fazer dinheiro rápido, porém, estruturalmente, o clube ficará desamparado.

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