Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

City soube de dívida pelo menos 5 meses antes de ação na Justiça

Clube americano cobra São Paulo por empréstimo do meia Kaká

Ciro Campos, Daniel Batista, Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 07h00

Na ação que move contra o São Paulo por causa de atraso no pagamento do empréstimo de Kaká, o Orlando City reclama de não ter recebido relatório das rendas obtidas com bilheteria no Morumbi durante a passagem do craque pelo clube. Por isso, cobra US$ 10 mil de multa por dia desde 7 de julho de 2014. São, na conta dos americanos, 378 dias de multa, o equivalente a mais de R$ 12 milhões.

Troca de e-mails entre Sérgio Augusto Fonseca Pimenta, superintendente administrativo do São Paulo, e Alex Leitão, diretor executivo do City, obtida pelo Estado mostra, porém, que pelo menos desde 13 de fevereiro o clube dos EUA tomou conhecimento das rendas obtidas no Morumbi. Assim, seriam, no máximo, 222 dias de multa (R$ 7,1 milhões).

O City também questiona a veracidade dos relatórios, mas o clube reconhece os números da planilha feita pelo São Paulo para chegar ao cálculo dos R$ 13,7 milhões que pede na Justiça. Na troca de e-mails, Leitão admite a Pimenta, em 13 de fevereiro, que a quantia devida pelo São Paulo é de R$ 1.699.191,57. No processo, no entanto, os advogados do City alegam que o São Paulo, "a despeito de informar o valor supostamente devido, deixou de comprovar a veracidade da informação".

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, admite a dívida, mas somente de R$ 1,7 milhão. "O São Paulo quando fez o contrato com o Orlando City, assinou o compromisso de pagar o salário do Kaká nesse período e um adicional de 20% incidente sobre a renda adicional dos jogos que ele atuasse comparativamente com o mesmo adversário do ano anterior. Isso tinha que ser prestado com contas a cada rodada e está escrito no contrato. O São Paulo não fez a prestação jogo a jogo e fez mês a mês", explicou o dirigente ao Estado.

Segundo Aidar, o detalhamento minucioso não foi redigido em contrato e após discussões, os clubes acordaram em janeiro que o número final da dívida era de R$ 1,7 milhão. Porém, o São Paulo não tinha dinheiro em caixa para pagar a pendência.

O dirigente questiona a legitimidade da ação movida pelo City. "A multa é mais de 80% do valor da dívida. Isso não resiste à menor análise do judiciário brasileiro. Nunca se pode ter uma multa maior do que a obrigação principal. O que o São Paulo está fazendo é o seguinte: não vamos pagar isso de jeito nenhum. Não há a menor condição de se efetuar esse pagamento, porque o São Paulo não se julga devedor disso."

O dirigente ainda acusa o City de tentar usar a ação na Justiça para tentar Paulo Henrique Ganso do Morumbi. "Havia um processo de diálogo normal, até o clube deles vislumbrar a chance de tentar uma operação com o Ganso. Eles decidiram entrar com uma ação, usar como desculpa essa pendência e oferecer ao São Paulo o perdão da dívida", afirmou.

O Orlando City anunciou oficialmente nesta quinta-feira, por meio de comunicado, que desistiu de tentar a contratação de Ganso. O clube norte-americano tinha cogitado a possibilidade de o São Paulo ceder o jogador como parte de pagamento da dívida que cobra do time do Morumbi.


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