Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Clássico aumenta crise do Corinthians e reforça evolução do Palmeiras

Cinco meses depois da final do Estadual, rivais ficam distantes no Brasileiro pela grande diferença de 16 pontos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2018 | 05h00

Cinco meses depois da final do Campeonato Paulista, o Corinthians foi embora neste domingo do Allianz Parque sem comemorações e com muito a se preocupar pelo restante do ano. Melhor para o torcedor do Palmeiras, que lavou a alma após a derrota de abril, viu o time ganhar por 1 a 0 pelo Campeonato Brasileiro e comprovou o quanto o tempo fez bem para a sua equipe e mal para o rival.

O resultado do clássico deixou o Palmeiras fortalecido. São agora nove rodadas de invencibilidade, terceiro posto na tabela de classificação e perseguição viva aos líderes após bater o rival com apenas três titulares na formação inicial.

Para o Corinthians, o primeiro jogo do técnico Jair Ventura mostrou uma equipe sem força ofensiva e com poucas opções no elenco. A disparidade entre os dois está evidente na tabela: são 16 pontos de diferença.

O resultado de 1 a 0, com gol marcado por Deyverson, aos 11 minutos do segundo tempo, foi reflexo de uma partida em que um time se esforçou bastante em ganhar e o outro apenas quis se defender. O Palmeiras viu a vitória como uma forma de acertar as contas com o passado frustrante. Já o Corinthians viu a sua crise ser agravada.

"O importante é que nunca duvidamos do nosso potencial e muito menos o torcedor. Devagar, a gente vai superando as adversidades. Tem muita coisa para acontecer", afirmou o goleiro palmeirense Weverton. "É difícil. O Palmeiras vem embalado com resultados positivos, tivemos mudança de treinador. É ruim perder o clássico", comentou o corintiano Cássio.

O clássico mantém o Palmeiras como um dos candidatos ao título brasileiro. O time continua três pontos atrás do líder, Internacional, e pelo bom momento vivido está mais fortalecido para brigar também pela Copa do Brasil e a Libertadores. "O resultado nos dá segurança e confiança, tanto para nós, atletas, como para o nosso torcedor. Estamos brigando em outras competições", disse o atacante Willian.

Para o Corinthians, a derrota não pode ser considerada um resultado trágico. Já eliminada da Libertadores, a equipe trocou de treinador na última semana, com a saída de Osmar Loss, e não conseguiu evoluir. Jair Ventura teve somente dois dias de trabalho com o grupo. No clássico, o time não deu trabalho ao goleiro Weverton. Nenhuma finalização foi na direção do gol palmeirense. 

Na tabela de classificação o Corinthians começa a viver situação complicada. O clube está oito pontos atrás da zona de classificação para a Libertadores, cenário que pode piorar hoje caso o Atlético-MG ganhe em casa do Atlético-PR. No retrovisor corintiano a pressão aumenta, pois o clube está mais perto da zona de rebaixamento, distante apenas seis pontos.

Por isso os dois rivais vão encarar de forma diferente as partidas no meio de semana, pela Copa do Brasil. O Palmeiras abrirá participação na semifinal com o Cruzeiro envolvido em uma atmosfera positiva e de confiança. O Corinthians vai ao Rio para enfrentar o Flamengo com um time em reformulação e carente de peças como Balbuena, Maycon e Rodriguinho, que lá em abril fizeram o clube ser campeão paulista em pleno Allianz Parque.

Neste domingo, o atual campeão brasileiro e bicampeão paulista mostrou no começo do jogo um pouco da marcante qualidade defensiva, porém pecou por não conseguir ameaçar o rival. Depois que ficou atrás no placar, a equipe até que buscou ser mais ousada, mas se viu contida pelas próprias limitações.

FORÇA

O Palmeiras conseguiu definir a partida no segundo tempo após ser mais incisivo no ataque. O técnico Luiz Felipe Scolari tirou no intervalo o volante Thiago Santos para colocar o meia Moisés e ter uma opção a mais para criar jogadas. Deu certo. O time conseguiu ser mais efetivo e não fez 2 a 0 por muito pouco – Dudu acertou o travessão.

"Dominamos os 90 minutos. Poderíamos ter feito mais. Vamos continuar com os pés no chão, porque no meio da semana temos outro compromisso", resumiu o meia Lucas Lima. "Temos de continuar com essa chama acesa, com essa vontade dentro de nós", comentou o zagueiro Luan, escolhido como capitão.

Depois de cinco clássicos neste ano, com duas vitórias palmeirenses e três do Corinthians, os dois rivais podem na final da Copa do Brasil.

 

 

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