José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Clássico carioca entre Botafogo e Fluminense na Arena Pernambuco

Sem acordo para jogar no Maracanã e com o Engenhão fechado, Botafogo e Fluminense vão sem enfrentar no estádio da Copa, no Recife

LEONARDO MAIA, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2013 | 08h00

RIO - O Governo do Rio gastou mais de R$ 1,2 bilhão de dinheiro público com a reforma do Maracanã. Mas o torcedor carioca está órfão de seus times como consequência da privatização do estádio. Botafogo e Fluminense fazem hoje, às 18h30, o clássico carioca da rodada na Arena Pernambuco, no Recife, a mais de 1,8 mil quilômetros de distância do Rio.

Sem o Engenhão, o Alvinegro está em situação semelhante aos rivais da Laranjeiras e do Flamengo. O consórcio que ganhou o Maracanã por 35 anos faz jogo duro com os clubes. As propostas feitas são desfavoráveis ao trio, o que tem adiado um acerto de longa duração para que atuem no local.

O edital de concessão do estádio exige que o consórcio feche com dois clubes grandes do Rio, mas não estipula prazo para isso, o que permite a Odebrecht, IMX, AEG endurecer na negociação pelo tempo que desejar, na expectativa de os clubes cederem pela necessidade técnica de fazer seus jogos no Rio.

“Lógico que queremos jogar no Rio, o desgaste é menor, há um ganho técnico. Mas isso não pode ser o fator preponderante (para fechar acordo)”, destacou o presidente Peter Siemsen, do Tricolor, em entrevista ao Estado. “Estamos em busca de um equilíbrio. As negociações estão avançadas.”

O Fluminense se acertou para fazer um jogo no novo Maracanã, o clássico com o Vasco, dia 21, mas busca melhores parâmetros para um contrato de longa duração. Siemsen não dá prazo, mas vislumbra um desfecho positivo em pouco tempo.

“Estamos em uma situação mais confortável do que o Flamengo e o Fluminense. Como teremos o Engenhão de volta em 2015, podemos nos dar ao luxo de fazer um acordo por menos tempo, sem tantas vantagens”, disse uma fonte ligada à alta cúpula do Botafogo, que preferiu não se identificar.

Um dos pontos de entrave é a partilha de receitas extras aos ingressos. O consórcio quer toda a renda dos camarotes, cujos valores são altos, além de controlar os ganhos com estacionamento, alimentação e publicidade.“Numa escala de um a dez, a nota (da proposta do consórcio) foi três”, disse Luiz Eduardo Baptista, vice de marketing do Flamengo, que jogou ontem em Brasília e está longe de chegar a um ponto comum com as empresas administradoras do repaginado Maracanã.

Entre os jogadores, a lamentação também é grande. “O clássico é um momento importante do futebol. É uma pena não podermos jogar (no Maracanã). Ainda vamos esperar um pouquinho para entrar lá”, comentou Seedorf. “Mas é na crise que a gente tem que ser criativo.Com certeza (esse problema) tem solução e devemos aproveitar muito nossos torcedores no norte e nordeste.”

BRIGA NA PONTA

Enquanto os torcedores cariocas sofrem com o Maracanã fechado, o público do Recife será brindado com uma partida de alto nível. Além do duelo de dois bons times, o jogo marca o confronto entre dois dos primeiros colocados. O Alvinegro tem 10 pontos, o Tricolor soma nove.

Promessa, portanto, de um confronto intenso, acirrado, disputado, e entre dois times em bom momento físico. Depois da parada para a Copa das Confederações, o técnico Abel Braga terá a volta de Fred, Diego Cavalieri e Jean, campeões da competição com a seleção brasileira.

“Eles trazem um peso muito grande, passa a haver uma preocupação maior do adversário em relação à nossa equipe. Os jogadores estão motivados. Traz um ânimo diferente, eles vêm com o titulo nas costas”, comentou Abel.

No Botafogo, o goleiro Jefferson, que estava com a seleção, também volta ao time.

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