Clássico de Manchester recorda 50 anos de tragédia

As duas equipes vão homenagear as vítimas do desastre aéreo que matou quase o time inteiro do United

Agência Estado

09 de fevereiro de 2008 | 13h39

O clássico entre Manchester United e Manchester City, neste domingo, às 11h30 (de Brasília), terá um sabor de nostalgia. As duas equipes vão homenagear as vítimas do desastre aéreo de Munique, que há 50 anos matou praticamente um time inteiro do United, a maioria jovens promissores, vestindo camisetas ao estilo da época, sem a estampa de patrocinadores. Além disso, os cinco sobreviventes da tragédia, entre eles o campeão do mundo Bobby Charlton, estarão em campo para receber as homenagens dos torcedores. "Vou gostar disso, éramos um time fantástico", disse outro dos sobreviventes, Bill Foulkes, que era o capitão do time chamado de "Busby Babes", em referência ao técnico Matt Busby. No dia 6 de fevereiro de 1958, a equipe voltava de Belgrado, onde havia eliminado o Estrela Vermelha da Copa dos Campeões (atual Liga), e o avião parou para uma escala de reabastecimento em Munique. Por causa de uma tempestade de neve, o avião caiu após a terceira tentativa de decolagem, provocando a morte de 23 dos 44 passageiros, entre eles oito jogadores do Manchester. Na quarta-feira, dia do cinqüentenário da tragédia, houve uma grande cerimônia em Old Trafford, palco do jogo deste domingo. Para os jogadores do atual elenco do Manchester United, a lembrança é uma pressão a mais pela vitória, que deixará o time ao menos por 24 horas na liderança do Campeonato Inglês - está com 58 pontos, contra 60 do Arsenal, que joga na segunda-feira contra o Blackburn. "Haverá muita emoção, mas temos de ser profissionais e fazer nosso trabalho: vencer o jogo para nós e para os fãs", afirmou o meia Ryan Giggs. "Espero que seja uma motivação extra para nosso time", reiterou o técnico Alex Ferguson. Um dos maiores cuidados para a homenagem será evitar que os torcedores do City, empolgados pela melhor campanha da equipe em muitas temporadas, estraguem o minuto do silêncio. Para evitar problemas, funcionários de Old Trafford, o estádio do Manchester United, passaram a semana retirando faixas provocativas ao outro clube da cidade. "Rivalidade é uma coisa normal no futebol, mas é preciso respeitar pessoas mortas numa tragédia, não importa se sua camisa é vermelha ou azul", afirmou o técnico Sven-Goran Eriksson. Com 41 pontos, o City está em sétimo lugar e precisa vencer para se manter na briga por uma vaga na Liga dos Campeões. Um desfalque importante é o meia brasileiro Elano, suspenso. Geovanni, que marcou o gol da vitória por 1 a 0, no clássico do primeiro turno, perdeu espaço durante a temporada e deve ficar no banco de reservas. MAIS UM CLÁSSICOO outro jogo deste domingo pela 26.ª rodada do Campeonato Inglês também é um clássico: Chelsea e Liverpool jogam em Londres, a partir das 14 horas (de Brasília), mais preocupados com a atualidade do que com as vítimas de Munique. Em terceiro lugar, com 54 pontos, o Chelsea torce por um tropeço do Manchester United para se aproximar da vice-liderança, mas não deve contar com três jogadores importantes: o volante ganense Essien e os atacantes marfinenses Drogba e Kalou, que se enfrentarão no sábado, em Gana, na decisão do terceiro lugar da Copa das Nações Africanas, e não devem chegar a Londres a tempo para a partida. Lampard, recuperado de uma lesão no tornozelo, deve ser a grande novidade e fazer sua primeira partida no ano.No Liverpool, que começou a rodada em quinto lugar, com 43 pontos, o principal desfalque é o atacante espanhol Fernando Torres, com uma lesão no tendão sofrida na vitória da Espanha sobre a França, no amistoso de quarta-feira.  O técnico Rafa Benítez rasgou o verbo contra o calendário apertado. "De quem é a culpa? Falam em nos pagar, mas não é uma questão de dinheiro, e sim de perder um titular no meio de várias competições importantes", reclamou o espanhol. "Toda vez que as seleções jogam fala-se de possíveis soluções, mas nada de prático acontece."

Tudo o que sabemos sobre:
Campeonato Inglês

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.