Clássico do criador contra a criatura

São Paulo e Palmeiras se enfrentam nesta quinta-feira, a partir das 20h30, no Morumbi. São Paulo e Palmeiras ou Leão contra São Paulo? Todos precisam de afirmação. Leão começou o ano dirigindo o São Paulo. Foi campeão paulista com todos os méritos. Mesmo assim, não deixou saudades. Nada de novo. Emerson Leão, 56 anos, treinador de futebol, é alguém a quem se ama ou se odeia, independentemente da avaliação de seu trabalho. Quase sempre boa.Muitos torcedores dizem que o time não venceria a Copa Libertadores da América se ele tivesse continuado. Ele não colocaria Luizão em campo e vetaria a contratação de Amoroso, dizem aqueles que acham que ele deu adeus em ótima hora.Leão abandonou o clube após quatro jogos da Libertadores - duas vitórias e dois empates, para atender ao apelo de um amigo japonês - e, depois de breve passagem pelo Japão, assumiu o Palmeiras. Foi substituído por Autuori, que entrou para a história do clube ao conquistar a Libertadores/2005.Apesar dos bons resultados no São Paulo, muita gente tem como prioridade, daquelas que se marcam na agenda com a rubrica de ?urgente?, derrotá-lo nesta quinta. O presidente Marcelo Portugal Gouvêa não se conforma até hoje com o desprezo de Leão pelo futebol de Falcão, que o cartola resgatou do futebol de salão para ser uma atração no campo. "Ele era uma grande aposta, não deixaram (Leão) que jogasse", diz. "E, se não fosse por ele, o Luizão ainda estaria aqui com a gente", diz.Luizão diz que deixou o São Paulo por se sentir desprestigiado. Alex e Júnior não tiveram boas ofertas do Japão, como o atacante, e ficaram. Deixaram tão claro que não gostam de Leão que, caso haja um aperto de mão - mesmo que protocolar - antes da partida, será coisa falsa.Que novidade há em alguém do São Paulo querer mostrar serviço a Leão, se, mesmo no Palmeiras, há quem entre em campo com o mesmo pensamento? É o caso do argentino Sérgio Gioino, que está tendo chance com Leão apesar da manifesta aversão do treinador em relação aos "hermanos". Gioino, pela Universidad de Chile, enfrentou o São Paulo duas vezes na Libertadores. E marcou três gols.Leão pouco se importa com as críticas. "Volto ao Morumbi com muita alegria. Fui muito feliz naquele campo". Se vencer o time que ajudou a montar, Leão estará quebrando um pequeno jejum. O São Paulo derrotou o Palmeiras três vezes na temporada - uma no Paulista e duas na Libertadores -; marcou seis gols e não sofreu nenhum. Mais do que isso: entrará na briga por uma vaga na Copa Sul-americana. E ganhará forças para sonhar mais alto.Paulo Autuori tem feito de tudo para que seu time jogue no Brasileirão algo parecido com o que se viu na Libertadores. Já pediu que as comemorações se encerrassem, já exigiu atenção e sacrifica Diego Tardelli em busca de gols. Precisa vencer para, pelo menos, chegar ao Mundial Interclubes sem estar lutando contra o rebaixamento. E para continuar vencendo de goleada as comparações com Leão - pelo menos as que se fazem no Morumbi.Os dois clubes perderam mais do que ganharam. Estão na metade inferior da tabela. Têm desfalques - Cicinho e Marcos são os maiores -, mas São Paulo e Palmeiras são gigantes do futebol brasileiro. Gigantes feridos, mas gigantes. Podem fazer um grande jogo esta noite.

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