Luciana Rosa/Estadão
Luciana Rosa/Estadão

Clássico entre Argentina e Brasil pelas Eliminatórias agita San Juan

Jogo desta terça-feira entre as tradicionais seleções tem clima de rivalidade, tensão e festa

Luciana Rosa, especial para O Estadão

16 de novembro de 2021 | 19h50

O relógio ainda não marcava 17h quando o público começou a formar fila nas imediações do Estádio Bicentenário. Centenas de pessoas com a camiseta da seleção argentina já entoavam os conhecidos cânticos de "Brasil, decime que se siente" a todo pulmão. A empolgação é justificada já que esta é a primeira vez que a província de San Juan sedia o clássico mais importante da América Latina. 

Walter que chegou às 10 horas de sábado na fila para conseguir um par de entradas e realizar o sonho do pequeno Germain de conhecer o Messi e acabou sendo um dos primeiros 50 a obtê-las. "Eu queria realizar o sonho do meu filho, e consegui", comemora.

Daniel Bataino e Jonathan Moye, apostam por uma vitória de 3 a 1 da Argentina e dizem que esse jogo não tem a ver com uma revanche da Copa América. "O Brasil está arruinado e o Neymar está arruinado também", diz Jonathan ao que o amigo ao lado discorda. Dizem que puderam escapar da confusão para conseguir entradas, já que foram presenteados com um par por um contrato de trabalho.

Jorge Juster chegou com uma camiseta de Maradona "A verdade é que eu gostaria de vê-lo aqui em campo, mas aconteceu o que aconteceu e desfrutamos desse modo", se lamenta, dizendo que ver Messi jogar é um  prêmio de consolação mais do que suficiente. E que veio de Mendoza para assistir ao jogo e que já teve a sorte de ver o camisa 10 da seleção de perto ontem quando ele, junto ao resto da equipe, saiu para cumprimentar os torcedores na frente do hotel. "Cumpri meu sonho, mas tive que esperar toda a noite de domingo na fila para conseguir uma entrada", relata.

Apesar de ser a capital da província, San Juan é, na verdade, uma pequena cidade com pouco mais de 100 mil habitantes encravada entre o deserto montanhoso da região oeste da Argentina. 

O recém inaugurado Estádio Bicentenário está justamente em uma zona árida da cidade, trata-se de um projeto impulsionado pelo governo* que vem investindo em infraestrutura na região com o objetivo de atrair o dinheiro gerado pelo turismo de eventos. 

O pequeno aeroporto, com dimensões comparáveis às de uma rodoviária do interior do Brasil, estava especialmente decorado para a ocasião. Encontrar hospedagem em San Juan para a semana do jogo era uma missão quase impossível. 

Pablo, taxista que trabalha fazendo o transporte de passageiros que chegam ao aeroporto de San Juan conta que o movimento duplicou nesses dias, "costumavam haver dois voos diários desde a capital, hoje chegam quatro", conta. 

Apesar da simplicidade das instalações, um dos auditores da seleção brasileira que vêm ao local dos jogos antes para conferir as condições das acomodações disse ao Estadão que, mesmo estando abaixo do nível do que estão acostumados, a predisposição dos sanjuaninos em ajudar o estava compensando. 

Ainda que tenha sido liberada a lotação de 100% do Bicentenário, a corrida para garantir uma entrada começou cedo. Mesmo com os ingressos sendo liberados a venda somente na segunda-feira, no sábado cerca de 6 mil pessoas já acampavam na bilheteria.

FILAS

"É a primeira vez, portanto estamos muito emocionados que seja na nossa província e tomara que continuem jogando cada vez mais aqui, diz kevin Godoy, um Sanjuanino emocionado pela possibilidade, posteriormente frustada, de ter Messi e Neymar na sua cidade. 

E teve até confusão, com torcedores forçando as barreiras de segurança para tentar furar a fila da compra de entradas.

CONFUSÃO

"Devido a alta demanda para a venda presencial de entradas do encontro entre Argentina e Brasil, a Secretaria de Esportes comunica que se adiantará o início da venda para esta noite", comunicou o governo de San Juan no domingo. 

AGLOMERAÇÃO EM HOTÉIS

A chegada das seleções foi um capítulo à parte. Longe do clima de rivalidade ou da atmosfera de revange, logo após a Argentina ter saído campeã da Copa América em cima do Brasil, muitos curiosos foram à porta do hotel onde ficaria a seleção brasileira com um objetivo: ver Neymar. 

"A cidade de San Juan já recebeu times sul-americanos, mas a presença do Brasil realmente revolucionou o público, já que é considerado o maior rival esportivo da Argentina e também um dos melhores times do mundo na atualidade", diz Marcelo Solazzo para justificar sua espera de 8 horas em frente ao hotel da equipe rival. "Experiência que vale a pena viver", completa. 

Com dores na região do adutor da coxa esquerda sentidas logo após o último treino no Brasil, Neymar decidiu não embarcar para a Argentina, deixando os fãs um pouco decepcionados. Como Mirta, caixa de supermercado de local vizinho ao hotel, que disse estar "esperando para ver se conseguia ao menos avistar de longe" o craque brasileiro. 

Já a seleção argentina não decepcionou, chegando com Messi e cia e indo cumprimentar os torcedores que faziam vigília em frente ao seu hotel. 

CLIMA DE REVANCHE

Com um Brasil invicto - 12 vitórias e 1 empate -  e já classificado, à Argentina, que ainda luta por uma vaga no mundial, resta concentrar as energias no espírito de revanche que o jogo poderia ter logo após a conquista da Copa América.

"Um jogo de enorme dificuldade no qual, acima de tudo, é preciso se divertir, ainda mais nas condições em que vai ocorrer, com um bom campo, com um estádio quase lotado e a posição na classificação que permite que o jogo seja para que as pessoas aproveitem. Para além do resultado, é uma partida para ser vista já que da última vez não foi possível e era o que todos nós esperávamos, tomara que possa ser aproveitado", disse o diretor técnico da Argentina em coletiva de imprensa nesta segunda-feira referindo-se ao jogo interrompido pela vigilância sanitária brasileira.  

Mesmo chegando em melhores condições, é preciso lembrar que a Argentina é a equipe que mais venceu o Brasil de Tite, foram três vezes em que a alviceleste levou a melhor.

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