Clássico entre Corinthians e São Paulo promete ser de alta tensão

Enquanto um joga para entrar na zona de classificação, outro tenta afundar rival e encerrar longo jejum

Fernando Faro e Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Corinthians e São Paulo já protagonizam vários clássicos cercados de rivalidade e tensão, especialmente nos últimos anos. Mas as circunstâncias do jogo deste domingo no Pacaembu aumentam ainda mais a temperatura. Além do momento de recuperação de ambos no Campeonato Paulista, o duelo válido pela 13.ª rodada dá ao Tricolor a chance de diminuir as possibilidades de classificação do Alvinegro e, de quebra, encerrar o incômodo jejum de 12 clássicos sem vitórias: o último foi em dezembro de 2012, justamente contra o adversário desta rodada.  

 

Ao menos desta vez, os ingredientes se resumem a dentro de campo. Desde a saída de Andrés Sanchez da presidência do Corinthians, em 2012, os rivais se reaproximaram e voltaram a construir pontes de relacionamento que permitiram uma super troca envolvendo Jadson e Alexandre Pato, cenário inimaginável há alguns anos.  

 

No entanto, nenhum dos dois estará em campo. Pato não pode sequer defender o São Paulo no Paulistão e só fará sua estreia no meio de semana, pela Copa do Brasil. Jadson se transformou no principal jogador do Corinthians, mas fica de fora por causa do acordo pelo qual os atletas trocados não enfrentarão seus ex-clubes, a menos que se pague uma multa. "Acordos existem para serem cumpridos", disse Mano Menezes, prova de que a relação entre os rivais, fora de campo, é boa.  

 

Com a bola rolando, porém, o São Paulo quer aproveitar a chance de complicar o rival nessa fase de grupos. "Seria interessante, porque é um adversário direto", reconhece Muricy Ramalho. Mano Menezes não viu desrespeito na declaração de Muricy. "É obrigação do São Paulo fazer isso", disse. “Se você deixa um grande crescer, lá na frente é difícil (enfrentá-lo).”

O clássico é muito mais importante para o Corinthians porque, se perder, verá diminuir as chances de classificação, mas se vencer assume o segundo lugar do grupo B – beneficiado pelo empate (1 a 1) do Ituano com o Atlético Sorocaba, ontem. A derrota no clássico seria um desastre porque o São Paulo já está nas quartas de final e depois do jogo de hoje enfrenta, no encerramento desta primeira fase, justamente Ituano e Botafogo – com o Botafogo já classificado, o Corinthians disputa segunda vaga com o Ituano.

O momento do Alvinegro é bom. O time vem de quatro vitórias consecutivas, mas o fato de Jadson não jogar é um sério problema. E Mano tenta encontrar um substituto sem mudar o esquema do time.

Já faz um bom tempo que o Corinthians não vence um clássico. O último foi contra o São Paulo, na Recopa, em julho (2 a 0). Dalí em diante, o time entrou numa crise que culminou com a saída de Tite. São seis clássicos sem vitórias (quatro em 2013 e dois neste começo de ano). “Fizemos um clássico ruim (contra o Santos) e um bom (contra o Palmeiras)” afirmou Mano.

 

MOTIVAÇÃO

O São Paulo também vive um jejum. Mas os 12 jogos sem vitórias em clássicos não parecem tirar o sono de Muricy. O treinador minimiza a marca negativa e a enxerga como um fator extra para o Tricolor entrar ligado. "Estou aqui há pouco tempo, então não tem essa de não ganhar clássicos há 12 partidas. Esse negócio às vezes o jogador nem sabe, não muda nada. Na hora do vamos ver, o cara pensa no jogo", disse.

Foi justamente a partir de um clássico – contra o Santos, na décima rodada – que o time encorpou e passou a subir de produção. Usando aquela partida como modelo, os jogadores esperam enfim enterrar a marca negativa.

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