Alebrt Gea / Reuters
Alebrt Gea / Reuters

Clássico entre Real Madrid e Barcelona vale liderança e esquenta o Espanhol

Tropeços do Atlético de Madrid permitiram recuperação e chegada dos dois maiores times do país

Toni Assis, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2021 | 05h00

Há algumas rodadas atrás, a Liga Espanhola parecia destinada ao Atlético de Madrid que chegou a abrir dez pontos de gordura na tabela em relação ao segundo colocado. Mas restando nove rodadas para o fim do torneio, tudo mudou. A recente falta de fôlego do time do técnico Diego Simeone permitiu a chegada dos dois principais times do país e colocou no clássico Real Madrid x Barcelona o tempero que faltava para apimentar a competição.

 Neste sábado (10), às 16h, no estádio Alfredo Di Stéfano, as duas equipes medem forças com chances reais de brigar pelo título. Três pontos separam o terceiro colocado Real Madrid (63), do líder Atlético. Um triunfo dentro de casa deixa os merengues ainda mais fortes na disputa da torneio. Já o Barcelona, embalado pelas 16 vitórias nos últimos 19 confrontos, surge em segundo com 65 pontos. No caso de vitória na casa do seu maior rival, ele assume a ponta provisória do Espanhol. O Atlético completa a rodada neste domingo (11) no compromisso diante do Betis como visitante.

O clássico leva a campo ainda duas equipes com a motivação na ponta das chuteiras. Dono do melhor ataque do campeonato (68 gols), o Barcelona vislumbra a chance de uma outra conquista na semana que vem quando disputa a Copa do Rei em duelo contra o Athletic de Bilbao. Já o Real Madrid espera administrar a vantagem obtida (vitória de 3 a 1) para a partida de volta das quartas de final da Liga dos Campeões diante do Liverpool na próxima semana como visitante.

Mas além da briga pela movimentação nas três primeiras colocações na tabela, a artilharia é uma atração à parte para dois importantes personagens deste clássico: Messi e Benzemá. O argentino aparece como o goleador máximo até aqui com 23 gols. Do outro lado, o francês representa o Real Madri com 18 bolas na rede.

 Apesar de ter passado em branco no recente confronto da Liga dos Campeões, o centroavante vem cumprindo muito bem o seu ofício de castigar os goleiros adversários. Foam 12 gols nos últimos 15 jogos, sendo dez deles no Campeonato Espanhol. A fase com a camisa branca é uma das melhores desde que aportou na Espanha: 24 gols em 34 partidas ( 70,5% de aproveitamento). A continuar nessa escala, a tendência é que Benzema consiga superar seu índice das duas temporadas passadas, quando anotou 30 e 27 gols respectivamente. E nada como ter um Barcelona pela frente para se motiva ainda mais.

“É a melhor partida do mundo. Esses dois times têm muita história. Os jogos são muito difíceis. O Barcelona trabalha muito com a posse de bola e tem o Messi que organiza o time e faz tudo dentro de campo. Temos que ganhar e ter em mente que o jogo é uma final. Tento sempre tentar me superar em relação aos anos anteriores”, disse o jogador em entrevista ao jornal Marca.

Protagonista na equipe desde que Ronaldinho Gaúcho passou o bastão no Barcelona, Messi demorou a despertar para esta edição do Campeonato Espanhol. A fase goleadora mudou após a virada de ano quando fez florescer o seu instinto goleador: 16 gols em 13 partidas. Muito dessa transformação tem o dedo do técnico Ronald Koeman, que mudou o esquema para o 4-3-3 e facilitou a conexão de seu melhor jogador com o restante da equipe. “Num clássico como este, a vitória é sempre importante. Um resultado que muda tudo”

 O estilo Messi de carregar o time com suas arrancadas de videogame também seguem em alta. Na lista de assistências, ele aparece em segundo lugar com oito participações ao lado do madridista Toni Kroos.

EQUILÍBRIO

A apertada vantagem de dois pontos que Barcelona leva sobre o Real Madrid na tabela de classificação dão o tom do equilíbrio que cerca as duas equipes. Nos últimos cinco confrontos (quatro válidos pelo Espanhol e um pela Copa do Rei) a igualdade prevaleceu, com duas vitórias para cada equipe e um empate. Na somatória geral, em 245 confrontos o time de Madrid tem um triunfo a mais (97 a 96) além de 52 igualdades.

No jogo do turno, porém, que acabou levando a melhor foram os comandados de Zinedine Zidane. Em partida válida pela sétima rodada, o Real Madrid aplicou um 3 a 1, em pleno Camp Nou, num jogo em que seus principais artilheiros passaram em branco. Sergio Ramos, Valverde e Modric anotaram para os visitantes enquanto Ansu Fati descontou.

BRILHO BRASILEIRO

Os dois gols marcados diante do Liverpool no meio de semana tiraram o atacante Vinicíus Júnior da condição de coadjuvante às vésperas de um Real Madrid x Barcelona. Em sua terceira temporada no futebol espanhol, o brasileiro contratado a peso de ouro junto ao Flamengo começa a justificar a sua aquisição. Desde que desembarcou em Madri, três faixas foram colocadas no peito do jogador. Além do Mundial de clubes de 2018, ele ganhou também mais dois títulos na temporada 2019/2020: a Supercopa da Espanha e ainda o Campeonato Espanhol.

Levando em conta a oscilação que sempre ronda os jogadores mais novos, os números já começam a aparecer na carreira do atleta de 20 anos. São 15 gols e 15 assistências em 106 partidas pelo Real Madrid. “Jogar no Real Madrid é um sonho que estou realizando e é muito bom vencer num momento como esse”, falou o jogador logo após a vitória sobre os ingleses.

O desempenho de Vinícius arrancou  elogios até mesmo do treinador Zinedine Zidane. “Ele vinha jogando bem e ajudando a equipe. Quando se marca gols, a confiança sempre aumenta”, comentou o comandante.

Mesmo com pouco tempo de Real Madrid, Vinícius Júnior já tem um clássico para chamar de seu nesta curta trajetória. No clássico realizado no dia primeiro de março do ano passado, ele foi um dos protagonistas da vitória de sua equipe por 2 a 0 ao deixar a sua marca no primeiro gol. De quebra, ele se tornou o jogador mais jovem a fazer um gol neste século diante do Bacelona:  19 anos e 233 dias. O detentor dessa marca era o argentino Messi, com 19 anos e 259 dias.

CLÁSSICO COM TOQUE BRASILEIRO

A identificação criada desses dois times com os torcedores brasileiros tem muito a ver com sucesso que os jogadores do Brasil tiveram defendendo as camisas de Barcelona e Real Madrid. Desde os precursores Canário e Evaristo de Macedo, que migraram para a Espanha na segunda metade dos anos 50, aos tempos atuais, muitos foram os nomes que brilharam em gramados espanhóis. Com a camisa do Barcelona, Ronaldo (96 e 97) e Ronaldinho Gaúcho (04e 05) faturaram duas vezes o título de melhor do mundo.  Romário (94) e Rivaldo (99) também atingiram essa honraria.

Pelo lado do Real Madrid, ídolos brasileiros também estouraram no atacado. A começar por Ronaldo, que trocou de camisa e a serviço dos merengues comandou a era dos galácticos ao lado de outro jogador que está entre os maiores ídolos do clube: Roberto Carlos. O ex-meia Kaká engrossou a lista de melhor do mundo ao faturar o título de melhor do planeta envergando a camisa branca do clube madridista em 2007.Sem atingir o mesmo brilho, mas com destaque de grande jogador, Robinho foi outro nome que chamou muita atenção dos europeus durante a sua passagem pela equipe.  

BARCELONA TEM TORCIDA DE EVARISTO DE MACEDO

Tanto Real Madrid como Barcelona sempre tiveram uma relação muito próxima com os torcedores brasileiros. E muito dessa afeição tem a ver com vasto número de jogadores que marcaram seus nomes na história desses clubes.  Alguns deles, com passagens marcantes nas duas equipes, inclusive. Um dos precursores que se destacou em terras espanholas é o ex-atacante Evaristo de Macedo.  Aos 87 anos, o carioca revelado pelo Madureira e destaque do time tricampeão estadual do Flamengo entre 1953 e 1955 falou da experiência de ter defendido as duas camisas. “Foram cinco anos jogando pelo Barcelona e depois mais quatro com o Real Madrid. Eram duas grandes equipes. O Barcelona sempre me cativou mais, eu gostava mais da cidade. Mas também tenho um carinho muito grande pelo Real Madrid”, falou Evaristo em entrevista ao Estadão.

O ex-jogador trocou o Flamengo pelo Barcelona em 57, numa época em que as transferências para o exterior eram raras. Naquele tempo, o Real Madrid montou um de seus melhores times de todos os tempos conquistando, inclusive, os cinco primeiros campeonatos europeus. No entanto, ele tem na memória um clássico em que o seu time desbancou o maior rival com uma goleada de 4 a 0. “Esse jogo foi nos meus primeiros anos de Barcelona. Vencemos por 4 a 0 e eu fiz três gols. Foi um jogo histórico”, completou Evaristo que após encerrar a carreira de atleta tornou-se treinado de futebol.

Para a partida deste sábado, ele disse que a sua torcida vai ter as cores azul e grená. “Eu gosto muito do Barcelona e sempre toco por ele. Eu gosto do Real Madrid também e quando o adversário não é o Barcelona, minha torcida fica com eles.” Sobre o clássico, Evaristo não quis apontar nenhum favoritismo. “Barcelona e Real Madrid sempre fazem jogos importantes. São os dois maiores times da Espanha. O Atlético de Madrid é que tentou furar a fila,,mas pelo jeito vai ter que esperar um pouquinho mais”, disse.

RICARDO ROCHA VÊ REAL MADRID FAVORITO

 O tetracampeão Ricardo Rocha também conhece de perto o ambiente que cerca um clássico da dimensão de Real Madrid  e Barcelona. Com a experiência de ter defendido o time merengue no início da década de 90, ele lembra a rivalidade da época. “O Cruyff  (Johan, técnico) tinha acabado de chegar e o Barcelona estava com uma ligeira supremacia. Mas sempre foram jogos muito duros. O Stoichkov dava muito trabalho. Às vezes ele jogava parado na frente, e mesmo assim fazia muita diferença, Era um grande jogador”, falou à reportagem do Estadão.

Com os tempos de globalização, Ricardo Rocha falou que o interesse dos torcedores brasileiros cresceu muito em relação a tudo que acontece lá fora. “Na minha época, Real Madrid e Barelona paravam a cidade. Hoje param o mundo. Todo mundo quer ver um jogo desses pela televisão. Muitos  grandes jogadores estão atuando lá. E se você levar em conta que na Espanha, esses são os dois principais times, a rivalidade aumenta muito mais”, disse.

Para esta partida, Ricardo acredita no equilíbrio. No entanto, a boa vitória do Real na Liga dos Campeões pode dar uma pequena vantagem na parte psicológica. “O Real vai jogar em casa, está na Liga dos Campeões e conta a ascensão do Vinícius Júnior, que é muito bom jogador. Mas favorito, não aponto ninguém”, encerrou o ex-zagueiro que também brilhou com as camisas do São Paulo e do Vasco.

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