Clássico esquenta o clima na cidade

Frio, só o tempo. A final do campeonato paulista esquentou o fim de tarde deste sábado e movimentou toda a cidade. Apesar da eterna rixa entre torcedores do São Paulo e do Corinthians, quem foi ao estádio não encontrou confrontos nas proximidades do Morumbi. Do lado de fora, só festa. Mas em bairros afastados, a exemplo da primeira partida na semana passada, torcedores rivais se encontraram e causaram um pouco de transtorno para a Polícia Militar. Nos arredores do Morumbi, o 2º Batalhão de Choque mobilizou 800 homens - 30% a mais do que o utilizado na decisão do Campeonato Brasileiro, entre Santos e Corinthians. Além deles, mais 400 policiais deram apoio em toda a Capital, principalmente nos pontos de ônibus, estações do Metrô, região central e nas grandes avenidas que levam ao estádio. Duas confusões aconteceram durante a tarde, antes do início da partida. Na avenida Marquês de São Vicente, zona oeste da cidade, vários torcedores são-paulinos agrediram uma pessoa e fugiram logo em seguida. A polícia conseguiu prender 23 deles, sendo que três eram menores de idade. Um tumulto também aconteceu no Campo Limpo, mas não houve vítimas. A PM prendeu ainda torcedores do São Paulo que vinham num ônibus de São José do Rio Preto com explosivos e porretes. O material foi interceptado a caminho do estádio. "Mas eles não tinham nada a ver com a Independente. O presidente da torcida organizada deles, inclusive, nos ajudou durante a tarde inteira na vigilância do São Paulo", garantiu o tenente-coronel Rego, comandante do 2º Batalhão de Choque da PM e responsável pelo esquema de segurança do clássico. Alguns torcedores também não escaparam de comprar ingressos falsificados das mãos de cambistas. Apesar do alerta da PM, são-paulinos que pretendiam assistir ao jogo da arquibancada laranja não conseguiram entrar no estádio. "Foram cerca de 10 casos. Pedimos para essas pessoas fazerem o boletim de ocorrência para depois termos como fazer uma investigação", explicou o major Marinho, responsável pelo policiamento nos estádios. De resto, grande parte da torcida que compareceu ao estádio, no entanto, só queria se divertir. Houve até um torcedor corintiano que foi ao Morumbi vestido de árabe, com uma foto ampliada da atriz Marilyn Monroe e uma faixa escrita "Make love, No War" (Faça amor. Não à guerra!): "Quero manifestar meu repúdio à guerra, tanto aquela contra o Iraque como também a briga entre torcidas", disse o professor Claudio Estevão, de 50 anos. "Sou contra a torcida uniformizada que afasta mulheres e crianças do estádio", completou.

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