Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Clássico Juve-Nal expõe contradições de estádio do Nacional, em SP

Campo sofre assédio do mercado e diretoria defende modernização

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 18h41

Enquanto Nacional e Juventus se enfrentavam na tarde desta quarta-feira, no estádio Nicolau Alayon, operários de um gigantesco empreendimento vizinho ao palco do jogo paravam suas atividades para ver o clássico apelidado de Juve-Nal. Os atletas corriam atrás da bola enquanto outros funcionários operavam seus equipamentos e o grito da torcida era abafado pelo barulho de britadeiras, furadeiras e serras. O placar final ficou em 2 a 0 para o Nacional, que melhora sua situação no Campeonato Paulista da Série A3 e entra na briga por uma vaga na próxima fase - o Juventus, líder isolado, já está classificado. Mas os 645 pagantes puderam aproveitar um pouco de um espaço cada vez mais raro na cidade.

Inaugurado em 1938, o campo tem características arquitetônicas parecidas com o estádio do Juventus na rua Javari, no bairro da Mooca. "O campo do Nacional é um dos estádios mais antigos de São Paulo. Ficaria muito triste se ele acabasse, pois aqui o futebol ainda é disputado como antigamente, pois é um campo que não foi elitizado. A torcida pode assistir ao jogo na grade", explica o técnico Jorginho, ex-Palmeiras, que atualmente está desempregado. "Eu comecei aqui como treinador", relembra. Ele fez questão de acompanhar o duelo das arquibancadas, mas longe dos holofotes.

A situação do estádio é comum a de muitos outros que já sumiram do mapa na capital paulista. Mas a diretoria do Nacional garante que o terreno não está à venda. "Temos um projeto para cá. O Nacional não vai vender isso aqui, nem tombar. Temos um projeto audacioso como o do Palmeiras. Precisamos acompanhar o desenvolvimento da região e queremos uma arena, que não vai acabar com as características originais", avisa Edson Gallo, vice-presidente do clube.

O processo de tombamento divide os dirigentes no clube, mas independentemente disso está parado. Ele foi pedido em 2013, para tentar frear o ímpeto da Operação Urbana Água Branca na região e evitar com que o campo passe pelo mesmo processo de especulação imobiliária que já varreu as áreas vizinhas. O estádio do Juventus, por exemplo, virou uma zona especial de proteção cultural. Lá, tempos atrás, a diretoria tinha a ideia de transformar o campo da Rua Javari em uma arena moderna, mas a ideia foi combatida por torcedores e ficou pelo caminho.

Uma parte da torcida do Juventus, que esteve presente nesta quarta-feira no clássico contra o Nacional, prega o "ódio eterno ao futebol moderno". O grupo é avesso às fotos e a dar entrevista. Não gosta que torcedores apareçam nos jogos com camisas de outras equipes e muitos assistem apenas aos jogos do Juventus. "Reclamamos dos jogadores que ganham muito e não mostram raça", afirma um dos fãs. Ele lembra que a situação do estádio do clube é mais tranquila agora. "Não dá para falar da Mooca sem falar do Juventus. O bairro ajuda a preservar o campo, é diferente de onde fica o campo do Nacional", conclui.

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