Vitor Silva/Botafogo e Alexandre Vidal/Flamengo
Vitor Silva/Botafogo e Alexandre Vidal/Flamengo

Clássico no Maracanã opõe Flamengo sob desconfiança e Botafogo eficiente

Time alvinegro está melhor atualmente, invicto e com cinco pontos; rubro-negros têm apenas uma vitória

Ricardo Magatti, especial para o Estado, Estadão Conteúdo

23 de agosto de 2020 | 09h24

O clássico no Maracanã neste domingo, às 11 horas, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, opõe um Flamengo sob desconfiança e que ainda não encaixou após a saída de Jorge Jesus, e um Botafogo empolgado depois de derrubar os 100% de aproveitamento do Atlético-MG.

Parecia improvável, mas neste início de Brasileirão, o Botafogo vive melhor fase do que o Flamengo. Com um jogo a menos, o time alvinegro está invicto, e soma cinco pontos, fruto de dois empates e do triunfo na última rodada sobre o então líder Atlético-MG no Engenhão.

Já o Flamengo ainda não se encontrou sob o comando de Domènec Torrent. Tem apenas uma vitória e quatro pontos somados em 15 disputados. O espanhol e o elenco tem conversado muito em busca de um encaixe que ainda não veio. A equipe rubro-negra começou muito mal sua trajetória na competição, com duas derrotas consecutivas. Depois, venceu a primeira diante do Coritiba, mas no último jogo, contra o Grêmio, voltou a oscilar, tendo um desempenho fraco no empate assegurado no final graças a um lance fortuito - um pênalti assinalado após toque no braço do zagueiro Kannemann e convertido por Gabriel.

A culpa de o Flamengo ainda não ter deslanchado no torneio não é só de Domènec. O novo comandante cometeu alguns erros em seu início de trabalho, especialmente no revés por 3 a 0 para o Atlético-GO, mas alguns dos principais jogadores estão muito abaixo do que mostraram no ano passado, como Bruno Henrique e Gabriel.

A dupla de ataque, muito afinada em 2019, e responsável por grande parte dos gols nas campanhas vitoriosas recentes, não vive boa fase tecnicamente. O time é inoperante ofensivamente e carece de agressividade e poder de decisão de seus atacantes.

O Flamengo trabalha para entrar em sintonia e, para que isso aconteça, Domènec conta com a ajuda de Diego Alves e Filipe Luís na comunicação. Líderes do elenco, o goleiro e o lateral falam espanhol fluentemente e tem ajudado no diálogo entre os jogadores e o treinador, que faz questão de aprender o português e já tem falado algumas palavras.

O comandante espanhol tem um grande problema na lateral direita. João Lucas, que vinha dando conta do recado na vaga de Rafinha, negociado com o futebol grego, sofreu lesão no músculo posterior da coxa esquerda e está fora do jogo. O elenco tem apenas o jovem Matheuzinho, recém-promovido do sub-20, disponível para a posição.

Contra o Grêmio, o treinador improvisou Renê no setor depois de João Lucas sair machucado. Dada a inexperiência de Matheuzinho, é possível que repita essa estratégia. O chileno Mauricio Isla, reforço para o lugar de Rafinha, já chegou ao Rio, mas ainda não foi regularizado.

Já o Botafogo está confiante e animado depois de surpreender o Atlético-MG de Sampaoli com uma estratégia planejada pelo técnico Paulo Autuori e bem executada pelos jogadores. Na ocasião, o treinador deixou no banco os três meio-campistas titulares e explorou a velocidade pelas laterais.

Autuori fala muito que deseja que seu time seja pragmático e eficiente na frente do gol. A equipe carece de ajustes, mas tem entendido o recado do treinador. No último jogo, conseguiu aproveitar bem os contra-ataques e usou com inteligência a velocidade pelos lados do campo.

"Para ganhar confiança no futebol, só tem uma maneira, que é ganhando jogos. E a gente tem que ser pragmático e tentar ser eficientes e eficazes. Nós vamos ser pragmáticos, como temos que ser pela situação do clube e, consequentemente, da equipe", destacou o treinador.

Na partida anterior, Autuori mexeu no time para se adaptar ao rival, mas também promoveu mudanças para preservar jogadores desgastados fisicamente diante de um calendário muito apertado. E contra o Flamengo, apesar de ser um clássico, isso deve acontecer de novo, com o rodízio novamente sendo colocado em prática, ainda mais porque o time alvinegro tem compromisso importante pela terceira fase da Copa do Brasil na próxima quarta-feira. O duelo será contra o Paraná, em Curitiba. Como venceram por 1 a 0 na ida, os cariocas têm a vantagem do empate.

Mais descansados, Honda, Caio Alexandre e Bruno Nazário devem retomar suas vagas entre os titulares. O primeiro não atuou diante do Atlético e os outros dois entraram no decorrer do jogo. Certo é que o lateral-esquerdo Victor Luis, submetido a uma cirurgia para retirada de apêndice, está fora.

No ataque, Luiz Fernando foi bem e pode permanecer. Rhuan e Guilherme Santos também brigam por vaga na frente. É provável que Pedro Raul retome seu posto e o jovem Matheus Babi, destaque nas últimas partidas e muito elogiado por Autuori, pode ganhar um descanso. Ele atuou nos quatro confrontos até aqui.

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