Clássico teve apenas 24 mil pagantes

Nem parecia que o confronto de hoje era o mesmo que em dezembro decidiu civilizadamente o último Campeonato Brasileiro. O local era o mesmo, Santos e Corinthians também. Mas as torcidas - que naquela tarde de domingo viram o Santos campeão num Morumbi praticamente lotado - quanta diferença. Apesar do feriado e da tarde ensolarada, pagaram ingressos apenas 24.022 torcedores. Viram de perto, além da briga generalizada em campo ao final do segundo tempo, um lance curioso ainda na primeira etapa: o médico Carlos Braga, do Santos, no momento em que levantou apressado para socorrer o goleiro Fábio Costa, bateu a cabeça na cobertura do banco. "Ele teve um ferimento corto contudo na região frontal (corte na testa) de uns três centímetros. Eu suturei aqui mesmo e ele foi removido para o Hospital São Luiz, para raio X da coluna cervical. Mas estava bem", explicou a doutora Ana Maria Visconti, que atendeu o colega, que ficou em observação. "Isso acontece. Eu mesma já levei uma lata de cerveja na testa num jogo lá na Portuguesa", conta a médica do Comitê Olímpico Brasileiro que hoje prestava serviço ao Corinthians no posto médico do Morumbi. O clube cedeu o doutor Fábio Novi para ficar à disposição do Santos no restante do jogo. "É um procedimento comum, o Corinthians sempre tem um médico reserva. Então o doutor Paulo Faria (cardiologista e médico principal do Corinthians) optou por isso." Fora do estádio pouco antes de o jogo começar, os comerciantes estavam preocupados com o movimento fraco. "Eu não sei por que isso. Com o feriado e tudo. O Santos vinha bem, até pouco tempo atrás estava ali, na Libertadores. Mas parece que o pessoal não se animou. Nem o do Corinthians", lamentava Sandra Mara, que há quase 14 anos trabalha numa das barracas de pernil e calabresa diante do estádio. O preço do sanduíche não ajuda, R$ 3,50. "Mas tudo está caro para a gente comprar também." Miguel Angel Romero, que há quatro de seus 20 anos vende uniformes de clubes para crianças em frente de estádios em dias de jogos, é outro que se acostumou aos clássicos. Não estava tão desapontado assim com o comparecimento relativamente baixo de hoje: "Já vendi dez conjuntinhos", festejava com o lucro de R$ 50 (cada conjuntinho custa para o ambulante R$ 5 e ele vende a R$ 10). Indiferente à opção dos demais santistas, Robson Cícero, de 25 anos, foi prestigiar seu time no Morumbi: "Não é porque não deu certo na Libertadores que o pessoal tem de desanimar, pôxa. O Santos é minha vida, aconteça o que acontecer", dizia o torcedor, de 25 anos. O ambiente calmo foi bom para a Polícia Militar. Foram registradas cinco ocorrências. Uma por porte de fogos de artifício nas imediações do estádio, duas por tumulto, um torcedor encaminhado ao 34º DP por desacato e um caso de agressão.

Agencia Estado,

09 de julho de 2003 | 18h49

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