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Secretário revela medidas em reunião para fim da violência Beydoun|Futura Press

Clássicos em São Paulo terão torcida única até o fim de 2016

Medida foi decidida pela Secretária de Segurança Pública do Estado

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2016 | 20h41

Os próximos clássicos disputados no estado de São Paulo, até o dia 31 de dezembro, terão torcida única. A compra de ingressos será unicamente online, com o cadastro prévio dos compradores, e os clubes não poderão repassar os bilhetes aos torcedores organizados. Todas as torcidas organizadas também estão proibidas de levar faixas, adereços, instrumentos musicais ou qualquer identificação. Essas foram as principais medidas anunciadas nesta segunda-feira pela Secretaria de Segurança Pública após os conflitos de domingo, antes e depois do clássico entre Palmeiras e Corinthians, que deixaram um morto e dezenas de feridos. 

“Essa determinação (torcida única) vale até o fim do ano. Depois vamos analisar em conjunto essa questão”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. 

O governo convocou uma reunião ontem para discutir medidas de segurança depois dos conflitos registrados em quatro pontos da cidade. Foram convocados o promotor de justiça Paulo Castilho, juízes do Juizado Especial Criminal, delegados da delegacia que cuida de violência no esporte e representantes da Polícia Militar e da Federação Paulista de Futebol.

O secretário também anunciou a identificação e banimento dos torcedores envolvidos nos conflitos. “Devemos terminar amanhã (terça-feira) a identificação de mais de 50 torcedores graças às imagens colhidas no Metrô. Além das medidas penais, os torcedores serão banidos dos estádios”, prometeu.

As torcidas uniformizadas envolvidas nas brigas também serão responsabilizadas. Na estação Brás, na Linha Vermelha do Metrô, torcedores dispararam rojões dentro da estação. Vidros foram estilhaçados e os bancos dos vagões, quebrados. “Também mandaremos o material para a Procuradoria Geral entrar com ação contra a Mancha Alviverde e a Camisa 12 pela depredação da estação de metrô. O objetivo é penhorar seus ativos para reparar a estação, para que acabe a impunidade”, afirmou o secretário. 

O órgão de segurança também vai criar uma central para consolidar ocorrências relacionadas à violência nos estádios, que terá contato direto com o Juizado do Torcedor. 

Antes e depois do clássico, conflitos em quatro pontos transformaram a cidade em um cenário de guerra. Além dos confrontos na estação Brás, uma morte foi registrada em São Miguel Paulista. Um idoso, de cerca de 60 anos, foi atingido por um tiro na praça Padre Aleixo Monteiro Mafra e morreu no local. Corintianos armados com pedaços de pau, pedra e rojões atacaram palmeirenses, que correram para a estação de trem da CPTM. 

Em Guarulhos, os confrontos resultaram em 27 prisões. Foram apreendidas 18 barras de ferro, armas brancas, porretes e fogos de artifício. Após o clássico, na zona oeste de São Paulo, corintianos que estavam no caminhão de transporte de instrumentos e bandeiras espancaram três palmeirenses. Todos os torcedores detidos foram liberados ontem após assinarem um termo circunstanciado.

 

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'Solução esparadrapo: cobre e não resolve o problema', diz sociólogo

Mauricio Murad fala sobre torcida única em São Paulo

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2016 | 07h46

A medida de permitir apenas uma torcida em clássicos em SP resolve?

Essa medida já foi tentada outras vezes. E não é eficaz porque hoje a maior incidência, mais de 80% dos conflitos, acontecem fora dos estádios. Isso assina em baixo a falência da segurança pública, punindo o justo pelo pecador.

É a solução "esparadrapo": cobre e não resolve o problema. É mais uma medida de desespero das autoridades em querer dar uma resposta

Há alguma explicação para este tipo de barbárie que acontece no Brasil?

As explicações são várias. Há explicações sociais, a violência em geral no Brasil cresceu muito. Agora há razões dentro do próprio futebol. Na multidão, os indivíduos têm a sensação que estão escondidos. Exatamente por isso precisam ser acompanhados e estudados, e as forças de segurança têm que ter um treinamento específico. Há um mal preparo das tropas nesse sentido.

O que as pesquisas sobre mortes no futebol mostram para a gente?

Somos os campeões mundiais em mortes de torcedores comprovadamente por conflitos de torcidas organizadas. Tivemos 71 mortes comprovadas em 2012, 2013 e 2014. Em 2015 tivemos 24 mortes, sendo quatro em processo de investigação. Em 2016, que mal começou, tivemos cinco óbitos comprovados. São números que assustam e as medidas tomadas são muito tímidas.

 

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