Claudinho tenta liberação do passe

No dia da extinção da lei do passe, o meia Claudinho, da Ponte Preta, esperava finalmente ganhar a liberdade. Logo após o almoço seguiu para o estádio Moisés Lucarelli, disposto a conseguir sua liberação junto aos dirigentes do clube. Ele só foi atendido no começo da noite, mas acabou se decepcionando. "O pessoal pediu para eu esperar uns dias", choramingava o jogador que ficou conhecido como o "Bosman brasileiro", ao conseguir, em 1996, na Justiça Comum o direito de trabalhar em outro clube se tornando o primeiro brasileiro a conquistar o passe livre.Na época, com apenas 20 anos, ele estava em letígio com os dirigentes e, com uma liminar na mão, atuou pelo Lousano Paulista, ex-Paulista de Jundiaí e que atualmente se chama Etti Jundiaí. "Quero a minha liberdade", concluiu o meia, que não teme o fato de ter o passe na mão e ficar sem mercado de trabalho. "Isso acontece em todas as áreas, mas fico com a possibilidade de definir onde jogar. É o sabor da liberdade que mais me fascina".Voltando ao passado ele lembra que sua ação jurídica inicial unia o desejo de liberdade e a necessidade de trabalhar. Mas agora, o meia acha que chegou a hora de assumir o controle da situação. Ele tem 30% do passe, fruto da negociação feita no seu retorno ao clube em 1997. Claudinho nunca se firmou como titular da Ponte, mas por muito tempo ficou conhecido como o "pé de coelho" do time por marcar alguns gols importantes. Um deles aconteceu diante do Náutico, na final do Campeonato Brasileiro da Série B, em 97, que garantiu o acesso da Ponte à divisão de elite brasileira.Fora dos planos da comissão técnica para esta temporada, Claudinho não conseguiu acertar sua transferência para outro clube. O maior empecilho é seu salário de R$ 22 mil mensais. Como seu contrato acabou no dia 1º de fevereiro, automaticamente, ele acredita que já tem direito ao passe livre, agora com 25 anos de idade.Ele foi um dos quase 80 jogadores que procuraram o Sindicato dos Atletas nesta segunda-feira, buscando informações sobre a nova Lei do Passe. Segundo a advogada Gislaine Nunes, do próprio sindicato, a recomendação é para que todos aguardem a publicação da lei no Diário Oficial, o que vai acontecer nesta terça-feira. Mas ela garante que todos jogadores que não têm contrato estão, automaticamente, livres para decidir seu futuro na carreira. Claudinho, portanto, não precisaria nem ter procurado os dirigentes para obter sua liberação, como muitos escravos faziam aos seus "senhores" há dois séculos, mesmo após a assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil em 1888.

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