Cleuter Barreto Barros, mais um preso de Oruro, também brigou no DF

Acusado pela morte do jovem Kevin Espada e inocentado por falta de provas trocou socos e pontapés com vascaínos no domingo

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - Um segundo torcedor do Corinthians que esteve preso na Bolívia acusado pela morte do jovem Kevin Espada – e foi solto por falta de provas – participou da briga com torcedores do Vasco no último domingo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Trata-se de Cleuter Barreto Barros, sócio da Gaviões da Fiel.

O outro associado da facção que ficou detido em Oruro por causa da morte do torcedor boliviano e brigou em Brasília é Leandro Silva de Oliveira, conforme revelado pelo Estado na sua edição de terça-feira. Fotos e vídeos mostram Barros, assim como Oliveira, correndo em direção aos vascaínos e, mesmo após ser contido por policiais, partindo para a briga.

As imagens do confronto e de Barros na Penitenciária San Pedro, em Oruro, foram analisadas por membros da ABPC (Associação Brasiliense de Peritos em Criminalística), que concluíram que se trata da mesma pessoa em todas as fotografias. "Considerando as convergências encontradas nos exames quanto às características consideradas individualizadoras da face e a inobservância de divergências classificadas como incompatíveis, conclui-se que as imagens padrão referentes a Cleuter correspondem à mesma pessoa que aparece nas imagens da briga vestindo agasalho de cor cinza, tendo os dizeres ‘NEW YORK’ na parte frontal", conclui análise feita por mais de um perito, entre os quais José Hadeilson Monteiro.

O Ministério Público de São Paulo defende a dissolução da Gaviões e o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) pode punir o Corinthians com uma multa e a perda de mando de campo. Já a polícia do Distrito Federal prometeu indiciar os responsáveis pela confusão.

Barros é conhecido na organizada como "Manaus", sua cidade de origem. Líder da subsede da torcida no Amazonas, ele veio para São Paulo para participar da organização do desfile de Carnaval da Gaviões e passou a dormir na sede da organizada, localizada no bairro do Bom Retiro. O torcedor vai a praticamente todas as partidas do Corinthians e toca tambor na bateria da organizada.

Ele atua na linha de frente da facção. Não à toa, foi um dos primeiros a partir para o confronto com os torcedores do Vasco e ficou o tempo todo no meio da confusão. A briga aconteceu no intervalo do jogo e Barros só voltou à área reservada aos corintianos depois que os policiais, com spray de pimenta e cassetetes, conseguiram isolar os brigões.

PRISÃO

Detido na Bolívia ao lado de outros 11 corintianos, ele chegou a ser apontado, junto com Oliveira, como responsável pelo disparo do sinalizador que atingiu Kevin Espada – o garoto morreu de traumatismo craniano causado pelo impacto do artefato. Inquérito da polícia boliviana informou que Barros foi preso com três sinalizadores, um deles de número de série idêntico ao do sinalizador que atingiu Espada. Com Oliveira, foi encontrado um foguete sem marca identificada.

Após passarem cinco meses e meio presos, os dois foram soltos no último dia 2, junto com outros três corintianos, por falta de provas. Antes, a Justiça boliviana já havia liberado sete torcedores pelo mesmo motivo. Um terceiro preso de Oruro que esteve no Mané Garrincha foi Hugo Nonato. Não é possível, no entanto, identificá-lo nas imagens da briga. O torcedor é apelidado de São Luiz e é tesoureiro da facção.

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