Clima de decisão no Morumbi

São Paulo e Palmeiras sempre fizeram jogos emocionantes, decisivos e de muitos gols. Nos anos 70, ainda respirando os ares da conquista do tricampeonato mundial no México, com elencos maravilhosos, alternavam-se nas conquistas de títulos. Muitos disputados entre eles. Na conquista do Paulista de 1970 pelo time do Morumbi ou no Brasileiro de 1972 ganho pelo rival, o show era comandado por ataques fantásticos. De um lado, Edu, Leivinha, César e Nei. Do outro, Terto, Pedro Rocha, Toninho e Paraná. Anos dourados que não voltam mais.Neste sábado, às 16 horas, no Morumbi, São Paulo e Palmeiras se reencontram para nova decisão. Não vale título, mas a chance de continuar em busca dele. Um triunfo dará motivação extra para sonhar em alcançar Atlético-PR e Santos, até agora os melhores do Nacional. Ou mesmo ainda tentar vaga para a Libertadores. Extremamente motivados com goleadas e expressiva marca de oito gols cada nos últimos dois jogos, a decepção fica por conta da formação de seus ataques. Apostam em apenas um atacante. O trombador e esforçado Grafite do lado tricolor ? ainda lutando contra perseguição da torcida ? e o técnico e habilidoso Osmar do lado alviverde ? um desconhecido que virou ídolo. Pouco para times onde o discurso é de jogo bonito e busca da vitória a todo momento.Osmar não é apenas a referência do setor ofensivo palmeirense: é o jogador em melhor fase na equipe. Mesmo durante o jejum de seis rodadas sem vitórias, o atacante deixou sua marca. E, com a volta dos resultados positivos, seu futebol deslanchou e ele chegou aos 10 gols em 11 partidas ? média de 0,9 gol por jogo. Mesmo assim, Osmar é avesso à fama. ?Não me importo em marcar gols. Quero que o Palmeiras vença, mesmo que seja com um gol do (goleiro) Sérgio?, disse Osmar, afastando o rótulo de craque do time. ?Não sou craque. Sou um jogador guerreiro. Craque é o Ronaldo.?Estevam Soares evita atribuir a responsabilidade pela vitória a apenas um jogador. ?O Palmeiras tem um conjunto forte, as peças se encaixaram bem nos últimos jogos?, comentou, referindo-se ao esquema tático com Pedrinho liberado para atacar. ?O time não joga na retranca. Além do Osmar, o Pedrinho e o Elson chegam bem na frente, o Claudecir aparece nas bolas aéreas, e os laterais apóiam muito.?Se o São Paulo entra completo, os palmeirenses lamentam a perda do volante Magrão, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Alceu ficou com a vaga e será titular também dia 7, contra o Paraná, já que Magrão foi convocado para a seleção brasileira.O atacante palmeirense não terá liberdade. Um zagueiro sempre o acompanhará. ?Ele chuta bem com os dois pés, forte e de qualquer lugar. Não podemos deixá-lo livre nunca?, afirmou o zagueiro reserva Alex, que atuou com o atacante no Santo André e servirá de informante para o técnico Emerson Leão.Sempre retraído em suas declarações ? não gosta de polêmicas ? Grafite desta vez foi mais ousado. Deixou o discurso sempre politicamente correto de boleiros e mandou um recado ao time todo. ?Não importa a competição, equipe grande sempre tem de ganhar dois ou três clássicos?, disse, sobre o fato de o São Paulo não ter ganho ainda de Santos, Palmeiras e Corinthians neste Nacional. ?E se ainda sonhamos com o título...?Grafite, agora o camisa nove, não está empolgado após o bom jogo contra o Paysandu. ?Será um duelo visado em mim e no Pedrinho (ambos viveram dias tumultuados recentemente). Espero que seja dia do Grafite e do São Paulo,? sonha. ?Só não posso achar que com os gols (fez dois) já sou craque, um Pelé, um Maradona. Aprendi a sempre fazer mais no jogo seguinte.?

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