Clima na Argentina é de tranqüilidade

O clima em Buenos Aires é de absoluta tranqüilidade para a partida entre River Plate e São Paulo, nesta quarta-feira, no estádio Monumental de Nuñez, pela semifinal da Copa Libertadores da América. Eventuais confrontos entre as torcidas estão descartados. O presidente do clube argentino, Héctor Cavallero, sustentou que os são-paulinos não precisam ficar com medo. ?Queremos que os brasileiros sintam-se mais seguros do que nunca". No entanto, soltou farpas ao afirmar, em referência aos incidentes ocorridos no jogo em São Paulo, que "se eles têm medo é porque sabem que se comportaram mal". Mas, destacou que não há planos de vingança por parte dos "millonarios" - milionários, como são conhecidos os torcedores do River Plate. Segundo Cavallero, o estádio estará cheio para o jogo. Mais de 60 mil entradas foram vendidas. A imprensa argentina ironizou os temores dos são-paulinos, destacando que o time preferiu instalar-se no Hotel Hilton, em Puerto Madero, que é uma espécie de "ilha" ao lado do centro. O bairro, construído sobre as antigas docas do porto velho portenho, está semi-isolado por canais e pontes. Desta forma, é praticamente impossível que uma torcida inimiga em massa se aproxime do hotel sem que a polícia a impeça. Um dos mais respeitados analistas esportivos do país, Ezequiel Fernández Moores, afirmou que há mais de uma década e meia que não acontecem casos graves de violência contra torcedores estrangeiros e times do exterior na cidade de Buenos Aires. "Eles estão vindo com um pouquinho de medo", foi um dos títulos do jornal esportivo "Olé", periódico dedicado aos leitores fanáticos do futebol. O "Olé" destacava que o São Paulo pediu uma equipe de seguranças só para a proteção do ônibus que os transportará. Tampouco faltaram sarcasmos sobre os rumores de uma suposta intenção dos jogadores do São Paulo de chegarem até o estádio em helicóptero. "Mas quem eles pensam que são? O George Bush? E nós somos o Bin Laden? Podem vir tranqüilos que ninguém vai jogar um carro-bomba em cima deles", disparou, com ironia, o engenheiro Guillermo Katz, torcedor do River. Ao seu lado, o comerciante Marcelo Serna, torcedor do Vélez Sarsfield, analisou. "É difícil que a torcida brasileira seja agredida, inclusive os jogadores. Os torcedores do River não são tão barra pesada. Se o jogo fosse lá na Bombonera, contra o Boca, talvez haveria motivos para medo. Mas a torcida do River costuma ser civilizada. Veja bem... ´costuma´. Espero que seja assim neste jogo, pois violência nos estádios não é bom para a imagem do país no exterior". Entre os jogadores do River existe um moderado otimismo em relação ao confronto. "É um jogo que terá que ser jogado com a alma", disse o meia Marcelo Gallardo. "É a partida para conseguir essa taça". Segundo ele, seus colegas pretendem ganhar o jogo mantendo o domínio da metade são-paulina do campo. Sub-20 - O jogo entre Argentina e Brasil - vencido pelos argentinos por 2 a 1 - na semifinal do Mundial Sub-20, no entanto, não paralisou a cidade de Buenos Aires, que continuou funcionando normalmente. Apenas em alguns bares os portenhos se detiveram para assistir o jogo nos televisores. Os telejornais deram pouco destaque para o confronto dos juniores brasileiros e argentinos, já que - com raríssimas exceções - os jogadores são pouco conhecidos e ainda não despertam paixões no público em geral. A vitória da seleção argentina na Holanda foi celebrada pelos comentaristas esportivos, que destacaram que a Argentina vai atrás do pentacampeonato juvenil. O gol de Lionel Messi foi classificado como "soberbo". Segundo o site do jornal "Clarín", o time argentino venceu com seu "último fôlego". O jornal indicou que a missão não foi fácil e criticou o time argentino por ter sido "vacilante" no primeiro tempo. Mas também houve críticas para o Brasil, já que o time foi definido como "morno, sem chegar a inquietar". Enquanto a repercussão do encontro do Sub-20 foi pouca, a expectativa pela final da Copa das Confederações é infinitamente maior. O jornal "Olé" colocou na capa da edição desta terça-feira uma caricatura de Pelé como se fosse um bonequinho de Vudu, espetado com alfinetes. Economia - A rivalidade Brasil-Argentina transborda para os mais inesperados setores da sociedade dos dois países. Um dos exemplos é o jornal econômico "Ámbito Financiero", que colocou na capa da edição de terça um breve artigo com o título "O futebol com o Brasil complicará", no qual argumenta que "as relações argentino-brasileiras há tempos estão tensas por motivos econômicos e políticos. Depois destas 48 horas, pode ficar pior".

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