Clube dos 13 ameaça o Brasileirão

Quem esperava que a divulgação de um calendário quadrienal pudesse trazer organização ao futebol brasileiro, enganou-se. O Clube dos 13 continua ameaçando mais uma virada de mesa com a organização de um campeonato próprio, baseado numa Liga que reuniria as principais equipes do Brasil. O assunto será um dos temas de uma reunião de dirigentes dos grandes clubes do País, marcada para terça-feira, num hotel do centro de São Paulo.O mote principal para a criação da Liga é a indefinição na disputa que envolve a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Remo. O clube, por meio de ação da Prefeitura de Belém (PA), conseguiu na Justiça paraense liminar garantindo sua inclusão na Série A do Campeonato Brasileiro. A CBF tentou, sem sucesso, cassar essa liminar. "Se a CBF não definir logo essa questão, não vamos ter um Campeonato Brasileiro nos moldes que foram propostos. Não queremos um torneio com 29 times", ameaça o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, que avisa: "Jamais deixamos de estudar a possibilidade de criação da Liga Nacional. Esse é um caminho viável."O Clube dos 13 não aceita a presença do Remo, que foi à Justiça por entender que, como disputou a fase final da Copa João Havelange, no ano passado, tem os mesmos direitos de Paraná e São Caetano, times que subiram nas mesmas condições da segunda para a primeira divisão, na Copa JH de 2000, e estão confirmados na Série A. Mais que isso: o Clube dos 13 quer um torneio com 20 clubes - Koff não confirma o número - e sem "inconvenientes" como acesso, descenso e liminares. Só participariam os "convidados".O Campeonato Brasileiro tem início previsto para 1º de agosto, com participação de 28 clubes na primeira divisão e o mesmo número de times na segunda. O torneio é organizado pela CBF. Como manda a lei, terá de ter acesso e descenso (quatro clubes caem e dois sobem na temporada de 2002).Num eventual campeonato da Liga, segundo Fábio Koff, não haveria os problemas enfrentados na Copa João Havelange, que reuniu 106 clubes em quatro módulos, foi deficitária e teve uma fórmula de disputa complicada. Isso, a menos que o Clube Brasil, que reúne os clubes do segundo escalão do futebol brasileiro, organize um torneio semelhante, segundo o dirigente. "Se eles fizerem seu campeonato, poderemos entrar em acordo para que haja acesso e descenso", afirmou.Respaldo financeiro para a criação da Liga não faltaria aos clubes. Os direitos de transmissão do campeonato da Série A já foram vendidos à Globo Esportes por US$ 73 milhões. O Clube dos 13 está próximo de conseguir mais US$ 5 milhões, que tornariam viável o campeonato da Série B.

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