Clube dos 13 quer mudar Estatuto do Torcedor

"O Estatuto do Torcedor não é do torcedor." A frase foi de Celso Rodriguez, assessor jurídico do Clube dos 13, hoje, no encerramento do Fórum do Futebol, em São Paulo. "De 44 artigos, 10 no máximo estão ligados diretamente aos direitos do torcedor. Muitos dispositivos dizem respeito à obrigação de dirigentes ou entidades esportivas, mas que não são direito do torcedor." O Fórum do Futebol foi organizado pela Fundação Getúlio Vargas com o apoio da Federação Paulista e do Clube dos 13. Ficou acertado que os departamentos jurídicos das três entidades vão avaliar as idéias e mandar para algum deputado federal, já na próxima semana, pelo menos quatro emendas para o Estatuto do Torcedor. Temas polêmicos, como a atual legislação esportiva brasileira e a necessidade urgente de saneamento financeiro dos clubes do País, marcaram o último dia de debates. "Com o Estatuto do Torcedor, o Estado mostra que quer um futebol organizado e transparente, o que é muito importante. Mas tem de criar mecanismos para ajudar os clubes na manutenção de seus ?artistas?, afirmou o presidente do Inter-RS, Fernando Carvalho. O dirigente fez referência ao direito de vínculo com os atletas que os clubes perderam com a Lei Pelé, "principal ativo" do futebol, segundo Carvalho. Ele apresentou ainda a Regulamentação Especial do Atleta, um anteprojeto com propostas de mudança, como a criação de uma forma adequada de indenização ao clube quando o atleta deixar a associação e a preferência do clube formador na renovação do contrato do jogador. O empresário José Carlos Brunoro concordou que a Lei Pelé precisa receber "adequações", mas acredita que os clubes ainda podem obter vantagens com a atual legislação esportiva. "Os clubes devem aproveitar algumas salvaguardas da lei atual e lutar, por exemplo, por multas rescisórias maiores", opinou. Em outro debate, sobre a gestão financeira dos clubes, o professor da FGV, Antônio Carlos Kfouri Aidar, mostrou como é possível se fazer saneamento nos clubes brasileiros. Um dos caminhos seria os clubes terem diretoria remunerada, com especialistas nas áreas de finanças, marketing e jurídica. O Fórum teve uma palestra do ex-ministro de Trabalho Almir Pazzianotto, que propôs o fortalecimento do STJD.

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