Vítor Silva/ BFR
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Clube-empresa: interessa saber a procedência do dinheiro?

O futebol brasileiro já teve caminhos diferentes e muitas promessas que não deram em nada

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2021 | 05h00

A possibilidade de salvar o clube com dinheiro da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) abriu um sorriso no rosto de dirigentes e torcedores do futebol brasileiro. Está todo mundo de olho nos próximos passos de investidores e clubes. Dois gigantes do Brasil saíram na frente, o Cruzeiro e o Botafogoque já deu sinal verde para a transição, tem investidor americano nas mãos e aguarda pelo trâmite legal.

O sentimento é de que Cruzeiro e Botafogo estão salvos do inferno da falta de dinheiro e das campanhas pífias na temporada. O time de Minas permanece na Série B. O do Rio subiu e tentará em 2022 se manter entre os melhores. Representantes das duas bandeiras estão em êxtase. Apostam que Ronaldo dará certo no Cruzeiro, assim como se esperam que o americano John Textor, investidor também em time inglês, resolva os problemas financeiros do clube de General Severiano.

Dão de ombros, no entanto, para a procedência do dinheiro (R$) a ser empregado no futebol. Ou mesmo se as agremiações (agora S/A) vão um dia se manchar com cores proibidas para uma administração honesta do esporte, de modo a ter de pagar, não com dinheiro, porque se der errado continuarão quebradas, mas com punições esportivas mais pesadas, como não poder negociar jogadores, garotos das bases ou mesmo fechar os portões por tempo determinado. Sabe-se lá. Tomara que não. Tomara que a parte jurídica funcione a contento e não entre no ‘modus alegria total’ das torcidas e dos gestores, para que a transformação do clube em S/A, com as novas leis, protocolos, obrigações e exigências possam ser cumpridas sem brechas para interpretações, acusações e processos futuros.

Ronaldo a gente conhece e ninguém acredita que ele se meteria em casos que pudessem prejudicar ‘o seu’ Cruzeiro. Mas poderia ser vítima, ele próprio, de maus parceiros.

Não quero ser o chato da vez, mas já sendo, vale lembrar que o futebol brasileiro já abriu seus portões para outros Messias dos investimentos que prometiam tirar clubes do buraco e transformá-los em potências. Nenhuma dessas empreitadas deu certo por mais de um ciclo. E o que se viu depois foram tempos áridos para esses clubes que acreditaram ter encontrado o Santo Graal.

Não quero alarmar ninguém. Há profissionais muito competentes assinando e conduzindo essas novas parcerias no futebol e as transformações dos clubes-empresa, como rege as novas regras.

Mas é sempre bom lembrar que o futebol brasileiro tem regras frágeis, muitas brechas, empresários e profissionais escrupulosos, paixão acima da média (ainda bem quando esse amor é positivo) e muitas decisões seguindo o coração. Já vimos no Brasil que associações autônomas podem dar certo e podem não dar.

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