Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Corinthians e Palmeiras são patrocinados por instituições financeiras. Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Clubes acirram rivalidade por novos patrocínios nos uniformes

Corinthians acertou com duas marcas parceiras do São Paulo em 2018 e anunciou o BMG, que concorre com a Crefisa

Ciro Campos, João Prata e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2019 | 04h30

O começo de ano mostrou uma disputa acirrada entre os clubes em busca de patrocinadores. Valorizar a camisa, aumentar a verba e fechar um bom contrato mexeu até com os torcedores. O Corinthians acertou com dois ex-parceiros do São Paulo e ainda assinou acordo com o BMG, principal concorrente da Crefisa, que renovou com o Palmeiras na última semana. O Santos perdeu o patrocínio da Caixa e, dos quatro clubes do Estado, é quem menos está faturando com seu uniforme.

O Palmeiras lidera com folga essa disputa com R$ 81 milhões pagos pela Crefisa. O Corinthians aparece em segundo lugar na corrida com seus R$ 31 milhões, o São Paulo tem R$ 19 milhões e o Santos, R$ 6 milhões. Os valores não são oficiais e foram apurados pelo Estado. Também podem sofrer variações. 

O clube alviverde, por exemplo, ganhará mais R$ 15 milhões de luvas por ano pela renovação da parceria, outros R$ 6,8 milhões em propriedades de marketing (parte do salário de Lucas Lima e Borja) e uma premiação no valor de R$ 34 milhões em caso de conquista de todos os torneios possíveis.

O Corinthians inovou no modelo de parceria com seu patrocinador master e se tornou sócio do BMG em um banco digital - a plataforma será lançada em um mês e o clube ficará com 50% do lucro. A diretoria prefere não estipular um teto de quanto poderá faturar, mas o presidente Andrés Sanchez prometeu grande surpresa ao torcedor a cada 200 mil novos correntistas. 

O diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg informou que o clube recebeu R$ 30 milhões de adiantamento - R$ 24 milhões referente à exposição da marca na camisa em 2019/20 e R$ 6 milhões de eventual lucro da nova parceria.

"Acreditamos que patrocínio de camisa nunca mais será o mesmo, as marcas depois da era digital não vão mais querer apenas um outdoor, mas sim um parceiro de negócios que corra riscos junto com ela", disse.

A chegada do BMG serviu até agora ao menos para gerar mais rivalidade entre os torcedores nas redes sociais. As instituições se provocaram pelo Twitter e gerou o aumento de milhares de seguidores. O Corinthians conta ainda com outros cinco patrocinadores. Dois deles, a Poty e a Joli, estavam no uniforme do rival São Paulo na temporada passada. 

O clube tricolor optou por não renovar com essas marcas em 2019, justificando com a necessidade de deixar o uniforme mais “limpo”. Mas isso, por outro lado, diminuiu sua receita. O São Paulo está com apenas três parceiros e nesta sexta o diretor executivo de marketing Luiz Fiorese, que estava há quase um ano no cargo, foi demitido, sob a justificativa de que a camisa estava pouco valorizada.O master do time também é uma instituição financeira: o banco Inter.

Dos quatro paulistas, o Santos vive situação mais complicada, pois perdeu o apoio da Caixa, que em 2018 rendeu ao clube R$ 10 milhões. O executivo de marketing, Marcelo Frazão, acredita que o uniforme poderá contar com a exposição de até sete marcas. “O principal objetivo é o financeiro, de maximizar receita. O futebol brasileiro ainda não pode dar ao luxo de priorizar a questão estética e ter poucos logos na camisa. É necessário fatiar o investimento entre os espaços do uniforme.”

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Bancos procuram clubes para atingir público diverso

Palmeiras, Corinthians e São Paulo estampam na área mais nobre de suas camisas diferentes instituições financeiras

Ciro Campos, João Prata e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2019 | 04h30

Palmeiras, Corinthians e São Paulo estampam na parte mais nobre de suas camisas a marca de instituições financeiras. E o Santos, até o fim do ano passado, tinha a Caixa como seu principal patrocinador. O Estado procurou especialistas do marketing esportivo para explicar o motivo de os bancos terem interesse em apoiar clubes de futebol e buscou uma análise até onde essa aproximação pode ser benéfica ao anunciante.

"O segmento financeiro precisa de muito volume de conteúdo, muito alcance e precisa de muita frequência. É um público amplo, de diferentes faixas etárias e classes sociais. Uma marca é consumida quando está na lembrança dele. No mundo e, mais especificamente no Brasil, o futebol é o esporte que dá mais visibilidade e gera muita mídia", explicou Rafael Plastina, CEO da empresa de marketing esportivo Sport Track.

A concorrência, ainda segundo Plastina, é outro motivo que atrai empresas do mesmo ramo. "Uma marca puxa a outra. É comum que segmentos se apropriem de alguns esportes. No futebol, por ter demanda de altos valores, muitas indústrias ficam fora. Os bancos possuem muito mais recursos para investir em marketing", pontuou.

O diretor da consultoria CSM Golden Goal, Danyel Braga, também especialista em marketing esportivo, alerta que a associação das patrocinadoras com o clube tem de ser feita de forma equilibrada. “Geralmente as marcas se posicionam de forma mais neutra, até porque há a preocupação de se identificar demais e poder criar uma rejeição aos adversários. Até mesmo grandes marcas podem patrocinar vários clubes para amenizar essa ligação.

SOCIEDADE

Plastina também acredita que parcerias como a do Corinthians com o BMG devem virar tendência. A sociedade entre o clube e a marca não é garantia de sucesso, mas é um risco que vale correr. O especialista em marketing esportivo enumera uma série de motivos para isso. Entre eles, o fundamental para a era digital: gerar dados.

"É tendência do clube ficar deitado em berço esplêndido e ter a crença de que tem o melhor torcedor, a melhor parceria... Um negócio como o do Corinthians dá para ter o retorno da interação do torcedor. Também faz o clube se esforçar mais para gerar conteúdo, faz o patrocinador trabalhar para a parceria dar certo", disse. "Vejo com bons olhos. Se não der certo no primeiro ano, vai descobrir o que aconteceu e vai poder corrigir a rota para que o negócio seja melhor." 

CONCORRÊNCIA

O Congresso Nacional promulgou em dezembro do ano passado a lei que cria a modalidade de apostas esportivas, em um primeiro passo para a legalização dos jogos e apostas no Brasil. O Fortaleza foi o primeiro clube no País a ter a parceria de um site de apostas, a Netbet.

As empresas já fazem aportes milionários no futebol europeu. Segundo O especialista em marketing Rafael Plastina, da Sport Track, mais de 50 clubes do Velho Continente contam com esse tipo de patrocínio. "Diante desse cenário e sabendo que o Brasil é um grande mercado digital, não vai demorar para que esses sites venham para cá." 

O interesse de um site de apostas EM apoiar um time é semelhante ao de uma instituição financeira."Possuem um público amplo e precisam fixar a marca na memória do consumidor."

 

 

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