Angelo Pettinati/Agência O Tempo
Angelo Pettinati/Agência O Tempo

Clubes apostam em programas de sócio-torcedor como fonte de renda

Agremiações têm receita sólida e filiados ganham desconto na compra de produtos

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Ser torcedor fiel de um time se tornou bom negócio dentro e fora dos estádios. Frequentadores habituais dos jogos de seus clubes têm vantagens como preferência na compra dos ingressos, que em muitas situações podem ser adquiridos com desconto. E mesmo quem não tem o hábito ou não pode acompanhar o time in loco tem benefícios. Dispõe, por exemplo, de descontos no preço de centenas de produtos e de vários serviços.

Para isso, é preciso fidelidade, estar ligado ao clube por meio de um plano de sócio-torcedor. Tais programas já existem há alguns anos no País e atualmente são adotados pelos principais clubes. Têm passado por mudanças constantes, dentro de um processo de aperfeiçoamento, e em janeiro deste ano ganharam um significativo empurrão: o lançamento do Movimento por um Futebol Melhor, que agregou benefícios aos projetos tocados pelos clubes.

Com a criação do movimento, os participantes dos programas de sócio-torcedor passaram a ter descontos em alimentos, bebidas, produtos de higiene e de limpeza e material esportivo, além de serviços de entretenimento, telefonia e bancários, entre outros. Atualmente, são mais de 650 produtos integrantes da ''cesta''.

O incentivo extra, o trabalho dos clubes e a propaganda feita pela empresa criadora do movimento tiveram como consequência um crescimento rápido do número de torcedores e de clubes associados. Em janeiro, as agremiações brasileiras tinham, no total, cerca de 372 mil sócios-torcedores (as 15 que aderiram ao movimento no momento inicial somavam 158 mil filiados). Em 1.º de outubro, o programa, já com 32 clubes associados, atingiu 600 mil sócios. ''Nossa meta é chegar a 1 milhão até o fim do ano'', disse Marcel Marcondes, diretor de marketing da Ambev, a idealizadora do Movimento por um Futebol Melhor, responsável por buscar parcerias com empresas.

O líder do ranking é o Internacional, um dos primeiros clubes a implantar o sócio-torcedor no País, que supera os 105 mil filiados. No site www.futebolmelhor.com.br é possível acompanhar o balanço de filiados de todas as agremiações, os produtos e os pontos de vendas participantes da promoção, além de ter acesso aos programas de todos os clubes inscritos.

Os clubes não têm nenhum tipo de despesa com o movimento e ficam com a receita total de seus programas. ''Tudo o que arrecadam é deles. Nosso objetivo como empresa é institucional e, como estamos ligamos há décadas ao futebol, decidimos criar um mecanismo que garanta uma receita boa e segura ao clube'', explica Rafael Pulcinelli, também da diretoria de marketing da Ambev. ''Isso pode permitir a eles, por exemplo, montar boas equipes, ter sucesso no campo e atrair cada vez mais torcedores.'' Até agora, de acordo com cálculos dos responsáveis pelo projeto, o Movimento por um Futebol Melhor já rendeu ao conjunto dos clubes uma receita extra de R$ 80 milhões.

Os clubes têm os mais variados tipos de programa, a preços que variam entre R$ 9,99 (o mais barato dos planos do Avanti, do Palmeiras, por exemplo) e R$ 600 mensais. ''O torcedor se filia de acordo com o seu perfil. Quem mora na Paraíba e torce para o Palmeiras quase não irá ao estádio, mas pode adquirir um plano simples, ajudar o clube e ainda ter descontos em produtos'', diz Marcondes.

BOM USO

O Cruzeiro é considerado um bom exemplo de clube que percebeu rapidamente as possibilidades do movimento e já o utilizou para reforçar o time - a receita advinda do sócios-torcedores deu segurança para as contratações de Dedé, apresentado em um supermercado, e Júlio Baptista.

O líder do Brasileiro tem seu programa desde 2004. Neste ano, deu um salto, passando de 7.023 sócios-torcedores em janeiro para 38.123 na última quarta-feira. ''O principal atrativo para o torcedor é o futebol, que é a mola mestra. O torcedor, quando se associa, quer ir ao jogo'', disse Marconi Barbosa, diretor de marketing do clube mineiro. ''Mas o movimento deu muito peso ao nosso programa. O torcedor percebeu que teria condições de obter vantagem, sendo sócio do clube, não só em um dia da semana, mas durante uma semana inteira. Pode obter desconto em produtos relevantes, de grandes marcas, que fazem parte do cotidiano dele.''

De fato, a torcida cruzeirense é a campeã da obtenção de descontos em produtos e serviços, com quase R$ 2 milhões economizados até o início de outubro (veja arte). O movimento já proporcionou cerca de R$ 10 milhões em descontos.

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