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Reprodução/TV Palmeiras
Treinos online ganham conteúdo variado para cativar os garotos da base Reprodução/TV Palmeiras

Treinos online ganham conteúdo variado para cativar os garotos da base Reprodução/TV Palmeiras

Clubes apostam em psicologia e gincanas gastronômicas para animar treinos online da base

Equipes tenta variar formatos para que mesmo sem entrar no gramado, garotos não percam o interesse

Ciro Campos, Raul Vitor , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Treinos online ganham conteúdo variado para cativar os garotos da base Reprodução/TV Palmeiras

A pandemia do coronavírus tem levado futuros jogadores de futebol a passarem meses seguidos distante dos gramados e ligados em telas ou monitores. Sem poderem frequentar os centros de treinamento dos clubes por questões de segurança, jogadores das categorias de base com idade até 15 anos têm mantido a rotina de trabalhos online. E os times capricham para ao mesmo tempo fornecerem conteúdos relevantes e atrativos, inclusive com gincanas gastronômicas.

Depois de a covid-19 paralisar todas as atividades do futebol em março, em setembro o calendário de competições sub-17 e sub-20 já foi restabelecido. No entanto, garotos com idades inferiores continuam sem a agenda de torneios e só fazem atividades em casa em plataformas online. O conteúdo tradicional envolve a realização de exercícios físicos e a exibição de vídeos para a orientação de conceitos táticos. Para não deixar os trabalhos caírem na mesmice, as equipes têm buscado incrementar os treinos online. Palestras de jogadores profissionais, debates com psicólogos e até concursos ganharam espaço.

O Atlético-MG identificou que os 200 garotos que estão afastados do treinos precisavam se sentir mais próximos entre si. A falta da convivência diária levou o clube a incrementar os vídeos com outras atividades. Fora a tradicional lista de exercícios e trabalhos com bola para serem feitos no quintal de casa, há outras atrações.

"Criamos um exercício de interação em que os jogadores mostram os preparos dos pratos de que mais gostam. Fizemos até um livro de receitas com comidas regionais de várias partes do Brasil", disse ao Estadão o coordenador das categorias de base, Júnior Chávare. "Tudo isso é importante até para a parte emocional dos garotos e para nós, do clube, nos aproximarmos da família. A gente não se preocupou só com o futebol", contou.

Os garotos do Atlético-MG têm recebido atenção especial da equipe de psicólogos e assistentes sociais do clube. Além disso, outra iniciativa foi organizar palestras com jogadores do time profissional. O intuito foi reforçar a ligação dos meninos com os atletas e reforçar até mesmo a necessidade da dedicação contínua nesta etapa para não prejudicar o futuro profissional.

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Criamos um exercício de interação em que os jogadores mostram os preparos dos pratos de que mais gostam. Fizemos até um livro de receitas com comidas regionais
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Júnior Chávare, Coordenador da base do Atlético-MG

"O treinamento que eu mais venho fazendo é o físico, mas os trabalhos com bola e as atividades táticas também venho fazendo bastante. Acho que não há muita diferença na dose entre os trabalhos", explicou o goleiro Flávio Daniel, de 14 anos. Em vez de treinar no CT do clube em Vespasiano (MG), ele está junto com a família em Americana (SP).

No Palmeiras, o esforço tem sido parecido. O clube reforçou os trabalhos online com palestras de outras áreas. Em vez de somente profissionais do futebol, até pedagogos foram chamados para variar o conteúdo. "Para tentar compensar essa perda (com a falta de atividade), continuamos realizando treinos online, palestras com psicólogos, pedagogos e assistentes sociais", explicou o coordenador da base. João Paulo Sampaio. A equipe também autorizou que alguns jogadores contratassem por conta própria preparadores físicos.

O Corinthians explicou que além de passar vídeos de jogos anteriores, marcou uma série de encontros educacionais para abordar outros assuntos. Redes sociais, cuidado com as finanças pessoais e bate-papo com ex-jogadores ganharam espaço. O São Paulo procura fazer o mesmo. "Temos acompanhado o dia a dia através de treinos e reuniões on-line", contou o coordenador da base do clube do Morumbi, Pedro Smania.

As atividades dessas categorias inferiores só foram interrompidas nos últimos dias para os garotos tirarem férias. Ainda não há previsão de quando as competições e os treinos presenciais serão retomados. 

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Categorias de base trabalham para compensar o tempo perdido com a pandemia

Equipes contabilizam problemas como a perda da capacidade técnica por causa da paralisação dos treinos

Ciro Campos, Raul Vitor, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2021 | 05h00

O ano de 2021 começa com as categorias de base envolvidas em uma cruel dúvida. A paralisação das atividades encarada por garotos de várias idades por causa da pandemia tem desafiado os gestores e treinadores a quantificarem qual foi o prejuízo técnico e físico. A avaliação de alguns é que ao terem de trocar os treinos presenciais pelas atividades online, os garotos podem ter perdido um tempo precioso de formação.

O retorno das competições sub-17 e sub-20 em meados de setembro, após seis meses de paralisação, indicou alguns caminhos. As categorias inferiores ainda não puderam retomar as atividades, mas é certo que o longo tempo distante da bola e dos treinos convencionais precisará ser recuperado.

"A sub-20 e a sub-17 são as únicas categorias que voltaram presencialmente ao CT. Usamos isso como parâmetro. As equipes apresentaram de 70% a 75% do perfil físico. Para nós, isso é uma grande vitória. Com três semanas de trabalho eles chegaram aos 90% e se recuperaram rapidamente", explicou o coordenador das categorias de base do Atlético-MG, Júnior Chávare.

Até mesmo os coordenadores das categorias de base de vários clubes têm se unido para trocar informações sobre o trabalho com a base. Alguns encontros têm a participação de técnicos da CBF. Apesar das preocupações em comum, existe o entendimento de que por serem jovens, esses garotos terão tempo de compensar essa perda ao longo dos próximos anos. 

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As categorias abaixo do sub-15 devem ter uma perda significativa na formação por se tratar de idades sensíveis ao aprendizado motor e recrutamento de fibras
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Pedro Smania, Coordenador da base do São Paulo

"Nenhuma categoria vai precisar de mais de um mês de pré-temporada para voltar à condição normal", disse Chávare. Porém, já que ainda não se tem previsão de quando as categorias abaixo do sub-17 poderão voltar, as equipes vivem uma apreensão. "As categorias abaixo do sub-15 devem ter uma perda significativa na formação por se tratar de idades sensíveis ao aprendizado motor e recrutamento de fibras. O São Paulo está atento a isso e buscando soluções que amenizem essa lacuna", explicou o coordenador técnico da base do clube, Pedro Smania. Na opinião dele, mesmo com treinos online, o acompanhamento não é tão efetivo se fosse no modo presencial.

O técnico sub-20 do Fluminense, Eduardo Oliveira, entende que um foco grande de atenção nessa retomada deve ser o oposto, em especial garotos entre 19 e 20 anos. Nessa faixa etária os garotos iniciam a transição ao profissional, processo que teve a rota alterada ao longo da última temporada.

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Os meninos do sub-11 ao sub-14, por exemplo, sequer retornaram aos CTs neste ano. Mas como eles possuem até oito anos pela frente para poder dar prosseguimento ao processo de evolução, eles vão sentir menos
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Eduardo Oliveira, Técnico do sub-20 do Fluminense

"Quanto mais jovem, mais tempo de recuperação ele tem. Os meninos do sub-11 ao sub-14, por exemplo, sequer retornaram aos CTs neste ano. Mas como eles possuem até oito anos pela frente para poder dar prosseguimento ao processo de evolução, eles vão sentir menos", disse. "Os atletas do sub-20 sentem mais. Tivemos menos tempo de interação, por mais que tenhamos o calendário competitivo completo. O tempo de evolução dessa faixa etária ficou reduzido. Mas, em meio a pandemia, o que o futebol brasileiro conseguiu entregar já é super positivo", completou.

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