Conmebol/Divulgação
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Clubes argentinos pedem adiamento da Libertadores

Boca Juniors, River Plate, Defensa y Justicia e Tigre querem mais tempo para treinar

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 15h53

Quatro das cinco equipes argentinas que participam da Libertadores, com exceção do Racing, pediram à Associação de Futebol Argentina (AFA) para que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) adie o retorno da principal competição continental em uma semana. Boca Juniors, River Plate, Defensa y Justicia e Tigre solicitam, pelo menos, dois meses de treinamentos antes do reinício da competição, marcado para o dia 15 de setembro. Os treinos no país vizinho ainda não foram restabelecidos e estão previstos para agosto.

“Se pudéssemos começar a treinar a partir de 18 de julho, no próximo sábado, quando a fase de quarentena terminar, não haverá necessidade de pedir nada, mas não sei se isso será viável", disse José Lemme, presidente de Defensa y Justicia, à agência Télam.

No entanto, a Conmebol não deve acatar ao pedido. Segundo relata a imprensa argentina, a entidade adiará o retorno desses clubes em, no máximo, 48 horas. Portanto, eles devem retornar à competição no dia 17 de setembro, ao invés do dia 15.

Vale lembrar que, durante a votação da data de reinício da Libertadores, a Argentina foi o único país contrário ao dia sugerido. Bolívia e Venezuela abstiveram seus votos, enquanto o restante dos países foi favorável. Sete times brasileiros estão na Libertadores (Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Athletico-PR, Grêmio e Internacional).

O ministro da Saúde argentino, González García, disse, em recente entrevista à Rádio La Red, que não estava de acordo com a decisão da Conmebol. "Existem países que decidiram continuar com o show, independentemente das mortes. Priorizamos a vida. Obviamente não concordo com o que a Conmebol fez ou com a data. Também queremos que não haja desvantagem para nossas equipes", disse García.

Além disso, as equipes argentinas solicitam não jogar em altitude, "para melhor aplicação do protocolo sanitário de pandemia". O Binacional, do Peru, por exemplo, que está no grupo do River Plate, manda seus jogos a quase 4.000 metros acima do nível do mar, o que, normalmente, gera reflexos negativos no organismo dos atletas.

O próprio Campeonato Peruano, que será iniciado no final do mês, será disputado inteiramente em Lima, no nível do mar. Augustín Lozano, presidente da Federação Peruana de Futebol (FPF), justifica a decisão "devido à infraestrutura e instalações hoteleiras para a aplicação do protocolo sanitário”. Lima sediou os Jogos Pan-Americanos e a final da Libertadores, em 2019. 

Caso se confirme que as equipes argentinas irão iniciar a competição com 48 horas de atraso, o São Paulo seria a única equipe brasileira diretamente afetada. O clube do Morumbi tem confronto marcado com o River Plate na rodada de reinício do torneio.

Agora, se a Conmebol decidir adiar o retorno da competição em uma semana, o calendário de futebol sul-americano, que já encontra obstáculos, será afetado por completo. Na maioria dos países do continente, a bola já possui data para voltar a rolar. Apenas na Argentina e no Chile o cenário permanece um pouco mais incerto. 

"Isso não é matemático. Penso que em alguns dias os casos diminuirão, mas não há precisão. O futuro será uma incerteza. Não podemos fazer previsões que vão além do curto prazo. O que podemos fazer é trabalhar todos os dias para que o impacto seja menor e estamos fazendo ", afirmou o ministro da Saúde argentino, González García.

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