Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Clubes brasileiros apostam em jogadores sul-americanos

Atletas dos países vizinhos são considerados mais baratos

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2016 | 07h00

Se os chineses resolveram centralizar as suas contratações no Brasil, os dirigentes brasileiros também têm investido em atletas de fora para reforçar seus elencos neste início de temporada. E passaram a apostar em atletas sul-americanos. Desde o fim do Campeonato Brasileiro do ano passado, os clubes da Série A já contrataram 17 jogadores estrangeiros, incluindo transações dentro do mercado nacional, como o lateral chileno Mena, que trocou o Cruzeiro pelo São Paulo, sendo 16 de países vizinhos.

Somando os atletas que já estavam no País desde o ano passado, os 20 times da elite do Nacional têm 42 jogadores estrangeiros em seus elencos. Somente América-MG, Fluminense, Ponte Preta, Santa Cruz e Vitória não contam com nenhum atleta de fora do País.

A maior legião é a argentina, com 16 atletas. Os colombianos vêm atrás com sete. Nas próximas semanas o número de atletas sul-americanos nos clubes deve aumentar. O Corinthians, que já conta com os paraguaios Romero e Gustavo Vieira e o colombiano Mendoza, negocia com o meia argentino Sebastián Blanco, do San Lorenzo.

Apesar de os valores da transação não terem sido divulgados, a contratação do jogador é considerada pela diretoria uma alternativa mais barata para repor as saídas de Renato Augusto e Jadson. Os dirigentes têm reclamado que o mercado interno está inflacionado e que os adversários costumam aumentar a pedida quando negociam com o Corinthians.

“Muitos clubes acham que o Corinthians está economicamente saudável e aparecem com valores muito difíceis. Para qualquer jogador médio já falam valores de atletas de ponta. Não podemos fazer nenhum tipo de loucura”, disse o gerente de futebol Edu Gaspar. 

No São Paulo, o aspecto econômico também pesou na hora de contratar o zagueiro uruguaio Lugano. Bastou igualar o salário que o zagueiro recebia no Cerro Porteño para conseguir que ele rescindisse o seu contrato com o clube paraguaio. O valor de R$ 280 mil era alto para o time paraguaio e “aceitável” ao clube do Morumbi. Se confirmar a contratação do argentino Calleri, ex-Boca Juniors, o time terá cinco jogadores de fora do país, além do técnico Edgardo Bauza.

De volta à Série A do Brasileiro, o Botafogo já contratou três estrangeiros: Gervásio Núñez, Joel Carli (ambos argentinos) e Damián Lizio (Bolívia). E a busca por mais jogadores no continente continua.

“O que o Botafogo tem de ter é criatividade, porque grana o clube não tem. Às vezes temos um bom nome, mas ele foge por causa do valor alto. Precisamos de um bom nom e e não vai ser do Brasil”, avisou o técnico Ricardo Gomes.

Já o Flamengo contratou o argentino Mancuello, do Independiente, e pagou US$ 3 milhões (cerca de R$ 12,5 milhões) por 90% dos direitos econômicos do jogador.

O valor não foi considerado alto pelo Rubro-Negro porque, segundo o diretor de futebol Rodrigo Caetano, os clubes brasileiros, quando têm um bom jogador no elenco, “não cedem ou dificultam a negociação”. / COLABORARAM CIRO CAMPOS E MARCIO DOLZAN

ESTRANGEIROS NEGOCIADOS

Atlético-MG: Erazo (EQU) e Cazares (EQU)

Botafogo: Gervásio Núñez (ARG), Joel Carli (ARG) e Damián Lizio (BOL) 

 

Chapecoense: Martín Alaníz (URU)

 

Cruzeiro: Sánchez Miño e (ARG) e Matías Pisano (ARG) 

 

Figueirense: Gatito Fernández (PAR) 

Flamengo: Mancuello (ARG)

 

Internacional: Paulo Cezar (brasileiro naturalizado chileno)

 

Santos: Joel (CAM) 

 

São Paulo: Lugano (URU) e Mena (CHI) 

 

Sport: Oswaldo Henríquez (COL), Mark González (CHI) e Reinaldo Lenis (COL)

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