Divulgação/Henan Jianye
Divulgação/Henan Jianye

Clubes brasileiros evitam assédio, e China só compra um jogador da Série A

Janela tem inversão do fluxo de contratações, com a chegada de atletas que estavam na Ásia

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2019 | 12h31

A janela de contratações para os clubes chineses encerrou na última quinta-feira com uma diferença em relação aos anos anteriores. Em vez de equipes da Superliga Chinesa esvaziarem a Série A e levarem vários jogadores, como fizeram nos últimos anos, desta vez foi diferente. A única venda de times brasileiros rumo ao país asiático foi a ida de Henrique Dourado, do Flamengo, para o Henan Jianye, por R$ 22 milhões.

Entre 2015 e 2016, por exemplo, o mercado chinês provocou grandes estragos nos clubes brasileiros. Apenas o Corinthians chegou a vender quatro titulares na virada daquele ano, com as saídas de Ralf, Jadson, Renato Augusto e Gil. Já de 2014 para 2015, o fluxo migratório foi ainda maior: os chineses bateram na porta de equipes da Série A e levaram seis nomes, entre eles Barcos, Marcelo Moreno, Diego Tardelli e Ricardo Goulart.

Depois de anos com reforços vindos dos Brasil, os clubes chineses mudaram a rota de investimento. A última janela de transferências mostrou a busca por contratações em mercados alternativos, como Noruega e Israel, mas a dominância foi em países tradicionais. Apenas a segunda divisão inglesa forneceu três reforços para equipes da China, mesmo número de atletas trazidos da Premier League e do Campeonato Espanhol.

A diminuição nas saídas de jogadores de clubes brasileiros rumo à China pode ser explicada principalmente por dois fatores. A liga chinesa freou os investimentos em estrangeiros, com a definição de um teto no orçamento em cerca de R$ 670 milhões anuais. A partir de agora, os clubes terão de seguir um padrão nos contratos estipulado  pela Associação de Futebol da China e sem poder oferecer bônus em dinheiro pelas vitórias. Além disso, há uma campanha para os times priorizarem nomes locais. 

O outro motivo é a mobilização no Brasil para segurar os jogadores e conseguir resistir às investidas. O Palmeiras teve de se desdobrar nesta janela. O clube ofereceu aumentos e prorrogou os contratos de Bruno Henrique e Dudu, jogadores que recebiam sondagens bastante atrativas de chineses. O atacante Deyverson por pouco não se transferiu, porém preferiu recusar a oportunidade e ficar.

Após viver uma explosão de brasileiros na liga, a China não seduz tanto os atletas pelos casos recentes de atraso salarial. O atacante Biro Biro conseguiu a rescisão contratual para acertar com o São Paulo justamente por estar com esse problema. "Algumas situações que estão sendo vividas na China nos fazem raciocinar. Tem time da segunda divisão que está há meses sem pagar impostos, fechando as portas. Se ir para lá é interessante, depende da cidade de cada um", disse em janeiro o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, sobre a situação no mercado chinês.

A Superliga Chinesa chegou a ter 29 brasileiros em 2015. Atualmente o número é um pouco menor: 24. A curiosidade desta janela de transferências atual é que enquanto apenas Henrique Dourado deixou a Série A para se transferir, o movimento contrário foi bem maior. Nomes como Ricardo Goulart, Hernanes, Diego Tardelli e Junior Urso voltaram ao Brasil para reforçarem times brasileiros.

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