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Clubes brasileiros pedem justiça por Mariana Ferrer e repudiam argumentação de 'estupro culposo'

Maioria das equipes que disputam a Série A do Brasileiro usa as redes sociais para se posicionar sobre o caso

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 10h54

A hashtag #JustiçaPorMariFerrer ganhou as redes sociais na tarde de terça-feira. Além de personalidades e influenciadores, clubes de futebol também demonstraram apoio à blogueira e ao combate à violência contra a mulher. Isso ocorreu após detalhes do julgamento que inocentou André de Camargo Aranha, acusado de ter estuprado Mariana Ferrer em uma festa, há cerca de dois anos. As imagens foram reveladas pelo site The Intercept Brasil.

Nelas, o advogado do empresário catarinense ataca a blogueira durante sua argumentação. Além disso, a decisão que absolveu André das acusações parte do princípio que ele não teria como saber se Mariana tinha ou não condições de consentir a relação sexual e, desta forma, o acusado não teria a intenção de estuprá-la. Essa decisão foi chamada de "estupro culposo" pelo Intercept Brasil, e caiu nas redes.

Dentre todos os clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, apenas três não se manisfestaram. É o caso do Santos, Bragantino e Atlético-GO. Ambos possuem atletas em seus elencos que estão envolvidos em polêmicas em relação a pauta violência contra a mulher. O clube do litoral paulista recentemente contratou Robinho, condenado em primeira instância, na Itália, por estupro; o Bragantino, por sua vez, abriga o atacante Wesley, condenado por agressão contra à mulher, assim como time goiano, que tem em seu plantel o goleiro Jean, também envolvido em episódio de violência contra sua companheira.

O atacante Yuri, do Atlético, no entanto, rompeu o silêncio do clube e decidiu se manifestar por conta própria. Antes de a bola rolar pela partida de volta da Copa do Brasil diante do Internacional, o jogador se virou para as câmeras e mostrou um "x", marcado na palma de sua mão esquerda. "Tenho esposa, sobrinha... É tamanho desrespeito. Acho que cada um podia fazer um pouco mais. Pode até parecer um pouco complicado, mas não podemos ter medo neste País", disse o jogador, ao término da partida. 

ENTENDA O CASO

A influenciadora digital Mariana Ferrer, de 23 anos, alega ter sido dopada e estuprada no camarote VIP de um beach club em Jurerê Internacional, em Florianópolis, em dezembro de 2018. O caso ganhou repercussão depois de imagens do julgamento serem divulgadas pelo site The Intercept Brasil, que passou a usar a denominação "estupro culposo", que não está nos autos e não exite no Código Penal. Nas imagens da sessão da audiência, o advogado Cláudio Gastão insultou a jovem. Com o argumento de que a relação foi consensual, a defesa do empresário exibiu fotos sensuais feitas pela mulher antes do episódio, e sem qualquer relação com o fato. O advogado chegou a dizer que a menina tem como "ganha-pão" a "desgraça dos outros". Apesar das intimidações, o juiz o não repreendeu.

A Corregedoria Nacional de Justiça abriu procedimento disciplinar para apurar a conduta do juiz Rudson Marcos, de Santa Catarina, que presidiu a audiência e permitiu que o advogado do réu atacasse a denunciante. O empresário acusado de abuso sexual foi inocentado. André Aranha chegou a ser denunciado pelo Ministério Público e teve pedido de prisão temporária aceito pela Justiça, mas o pedido acabou suspenso em segunda instância.

A tese inicialmente apresentada no processo pelo Ministério Público era estupro de vulnerável. Mas MP entendeu depois que não tinha como comprovar que a jovem não estava em sã consciência e que, por isso, não havia dolo. Como não existe a previsão no Código Penal de 'estupro culposo', Aranha foi inocentando. A defesa de Mariana Ferrer vai recorrer. O estupro de vulnerável é quando a pessoa não tem discernimento do que estava fazendo.

Confira a reação dos clubes por região do Brasil

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