Clubes buscam reforços bons e baratos

O ano apenas modesto dos paulistas levou os clubes a se mexerem rapidamente para melhorar a qualidade dos times. Mesmo poucos dias após o fim do Brasileiro, vários reforços estão chegando ao Morumbi, ao Parque São Jorge, à Vila Belmiro. Só que um detalhe diferencia bem o fim de 2003 das últimas temporadas: as contratações são muito mais modestas, não envolvem figurões e tampouco movimentam valores significativos. Com o fim do passe, os dirigentes estão se habituando a correr atrás de atletas livres, que não têm vínculo com outras agremiações. Assim, economizam o valor que, antigamente, teriam de pagar pelo passe e se incumbem somente de bancar o salário. O São Paulo, que teve desempenho razoável no Brasileiro, vem usando e abusando dessa estratégia. Contratou, por exemplo, o zagueiro Rodrigo, que deixou a Ponte Preta por não ter recebido meses de vencimentos. O mesmo ocorreu no caso de Danilo, ex-Goiás. Em relação a Vélber, do Paysandu, os são-paulinos adquiriram 60% de seus direitos por R$ 800 mil. A diretoria, que também trouxe Grafite e Fabão, ambos do Goiás, espera montar um grupo competitivo para a Libertadores. O elenco de 2003 serviu para levar a equipe à 3.ª colocação do Brasileiro, mas deixou evidente a falta de capacidade para vôos mais altos. A boa campanha na Libertadores, prioridade no clube, terá vital importância no resultado das eleições presidenciais de abril. Mesmo sabendo disso, o presidente Marcelo Portugal Gouvêa aprendeu que não se pode mais fazer loucura no atual momento econômico do País e de todo o mundo do futebol e optou por jogadores menos badalados, não tão conhecidos, mas com futuro promissor. Uma ótima lição foi a cara contratação de Ricardinho no segundo semestre de 2001. Além de não ter resolvido os problemas técnicos da equipe, trouxe grande dor de cabeça no aspecto financeiro. Por isso, quando falam em Rivaldo, ele diz que só tentará levá-lo para o Morumbi se alguma empresa se responsabilizar pelas despesas. O Corinthians encara a situação de forma parecida e trabalha para não repetir os inúmeros erros dos últimos meses. Escaldada e insegura após os contratempos que teve ao perder jogadores durante o Brasileiro - o que resultou em campanha pífia -, a diretoria passa por momentos tensos na véspera do anúncio da equipe para 2004. Antônio Roque Citadini, vice de Futebol, e o presidente Alberto Dualib tentam se desvencilhar dos obstáculos que surgem durante as negociações. O primeiro é a dificuldade de conversar com empresários e procuradores, que inflacionam o mercado. E o teto salarial, de R$ 80 mil, limitará as contratações a atletas do nível de Samir, ex-Vitória, Gilberto, do Grêmio... O Palmeiras vai manter a política do "bom e possível". "Não vamos ser reféns de empresários", garante Mário Giannini, diretor de Futebol. Ele avisa que trará reforços para preencher posições carentes, mas só chegarão aqueles que aceitarem salários compatíveis com a filosofia palmeirense. A prioridade é manter a base de jovens, que tiveram bom desempenho na Série B. E o melhor paulista de 2003, o Santos, com dívidas a pagar e pouca verba, luta para ficar com os craques. Já trouxe o lateral Paulo César, do Paris Saint-Germain, com ajuda dos franceses para pagar os salários, e corre atrás de um atacante. É o trabalho para trocar o vice pelo título.

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