Clubes da Europa descobrem um novo eldorado, os EUA

Equipes como o Barcelona montam escolinhas no país para garimpar talentos e também vender sua marca

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 17h48

O futebol nos Estados Unidos, onde Kaká vai jogar no ano que vem, começa a despertar desejos semelhantes em crianças e clubes. De um lado, os meninos locais que preferem o futebol ao beisebol ou futebol americano vislumbram, como qualquer outro do mundo, jogar em grandes equipes da Europa. De sua parte, os times europeus também começam a olhar com olhos interessados para esses garotos, com a clara intenção de encontrar no mercado promissor novos talentos, como Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo.

Equipes como Barcelona, Liverpool e Arsenal já enviam treinadores próprios para as clínicas de futebol nos Estados Unidos, mas agora alguns gigantes da Europa estão também criando academias, ou escolinhas, para melhorar ou encurtar esse caminho da descoberta. É claro que também faz parte de seus projetos, divulgar a bandeira do clube em terras novas, de modo a aumentar arrecadações com a venda de produtos.

O Barcelona, por exemplo, inaugurou há pouco tempo sua escolinha nos Estados Unidos, em Fort Lauderdale, chamada Escola Florida, com trabalho de garimpagem permanente. Não é o único com os pés no país. Boca Juniors e Everton também possuem atividades em Nova York e Connecticut, respectivamente. Outras equipes devem seguir por esse caminho. O futebol europeu primeiro correu para a Ásia com a mesma finalidade, menos para encontrar talentos e mais para vender camisas. O próprio Corinthians tentou invadir a China quando contratou Zizao, que acabou virando xodó da equipe, mas sem ajudar o clube a atravessar fronteiras comerciais. Despertar o interesse em seus jogos também faz parte desse processo, com vendas de transmissão nos canais pagos.

"Se acontecer de as crianças se tornarem torcedoras quando pequenas, provavelmente elas serão seguidoras desses clubes para o resto da vida", entende Simon Chadwick, economista de esporte da Universidade de Coventry, na Inglaterra.

A audiência do futebol nos Estados Unidos alcançou  marcas interessantes e a Copa do Mundo do Brasil contribuiu para isso. Era possível ver locais no país abarrotados de torcedores empurrando sua seleção para cima dos adversários. Os EUA caíram na fase de oitavas de final, após derrota para a Bélgica. A NBC, por exemplo, diz que pagará US$ 250 milhões (R$ 578,2 milhões) para transmitir jogos do Campeonato Inglês. Recentemente, 109 mil torcedores lotaram o estádio da Universidade de Michigan para ver amistoso do Real Madrid com o Manchester United. 

A média de público do campeonato dos Estados Unidos é de 18 mil pessoas, lotação que não cabe na Vila Belmiro, campo de mando das partidas do Santos.

ANOS 90

A iniciativa não é nova. O Ajax, da Holanda, já fazia isso nos anos de 1990. E continua fazendo. Uma de suas academias foi construída na África do Sul. Seus dirigentes dizem que a cada temporada, seis ou sete jogadores são lançados nessas escolas.

O Barcelona tem 12 escolinhas espalhadas pelo mundo, contando essa nova dos Estados Unidos. Quando abriu as portas para os primeiros testes, mais de 600 crianças se apresentaram, entre meninos e meninas. O clube espanhol oferece 384 vagas. São cobrados de cada um US$ 3 mil (R$ 6,9 mil) por temporada, dinheiro usado em hospedagem, alimentação e educação dessas crianças. Há famílias mudando-se para a Florida só para atender ao desejo de seus filhos. É claro que a bandeira do Barcelona, de Messi e Neymar, seduz. O clube espanhol organizou sete clínicas nos EUA neste verão, com 3.200 crianças, todas elas, sem a menor dúvidas, já torcedores do time catalão.

O exemplo para esses moleques é o do próprio Messi. O argentino deixou seu país aos 13 anos para jogar nas bases do Barcelona, antes de virar o que é hoje. Muitos pais olham para suas crianças e enxergam novos Messis. Ali Rafique levou seu filho Toby, de 6 anos, de Dallas a Miami. O menino já treina mais de 20 horas por semana para um dia seguir os passos do craque da seleção argentina. "Vou trabalhar para realizar o sonho do meu filho."

No caso do Boca Juniors, a intenção é formar uma equipe para disputar o torneio local, e ter o contrato de todos os seus jogadores americanos. Os melhores seriam usados na equipe de Buenos Aires.

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