Wiliam Lima/Photo Press
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Clubes mandantes têm prejuízo em mais de um terço dos jogos do Paulistão

Para a maioria dessas equipes, só não houve déficit nos duelos em casa quando as partidas eram contra os grandes de São Paulo

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 07h00

* Texto atualizado às 15h50 para mudança no título

A primeira fase do Campeonato Paulista termina nesta quarta-feira com um saldo preocupante: mais de um terço das partidas disputadas deixou clubes que tinham mando de campo no prejuízo após o jogo. O cenário atingiu dez equipes que disputam a Série A1, todas do interior. Juntas, elas somam até agora pouco mais de R$ 330 mil em renda líquida negativa – quando as despesas para a realização da partida são maiores que a arrecadação.

Levantamento feito pelo Estado com base nos boletins financeiros dos 88 jogos realizados até a 11.ª rodada aponta que isso aconteceu em 32 partidas. Esse número pode ser ainda maior depois dos jogos desta quarta-feira.

A equipe mais afetada foi o Red Bull Brasil, que somou quase R$ 100 mil em prejuízos em quatro dos seis jogos em que teve mando de campo. Também de Campinas, a Ponte Preta somou R$ 75,2 mil em prejuízos em quatro partidas das cinco que atuou em casa. São Bernardo, Ferroviária e Audax fecham os cinco primeiros times que tiveram maior prejuízo nesses casos, com R$ 37,5 mil, R$ 31,8 mil e R$ 25,5 mil, respectivamente.

Para a maioria dessas equipes, só não houve prejuízo nos duelos em casa quando as partidas eram contra Palmeiras, Corinthians, São Paulo ou Santos. Nessas ocasiões, a renda dos jogos chegou a compensar os prejuízos acumulados em partidas contra outras equipes do interior. É o caso do São Bernardo, por exemplo. Dos cinco confrontos como mandante no estádio Primeiro de Maio, a equipe ficou no vermelho em quatro, somando R$ 37,5 mil em prejuízos. Em uma única apresentação contra um dos quatro grandes, o saldo foi positivo: apesar de ter sido goleado pelo Santos por 4 a 1 na 8.ª rodada, o São Bernardo teve renda líquida de R$ 82,2 mil.

O cenário revela um impasse ainda comum mesmo no campeonato estadual mais rentável do país: a dependência financeira que os times do interior têm das maiores equipes do Estado. Sem mencionar a situação dos clubes menores, a Federação Paulista de Futebol (FPF) informou, em nota, que a renda líquida dos clubes, em geral, subiu 39,7% de 2016 para 2017. 

Para a entidade, os números mostram que o novo formato do Paulistão, com a redução de 20 para 16 clubes, já apresenta resultados satisfatórios. Um dos parâmetros citados pela federação, porém, é o crescimento do público nos clássicos envolvendo apenas os quatro grandes clubes. “A FPF mantém constante diálogo com os clubes, a fim de buscar o aperfeiçoamento das operações nos jogos e reduzir custos”, diz a nota.

Para o presidente da Ponte Preta, Vanderlei Pereira, o fator decisivo para esse cenário de prejuízos para os clubes do interior pode ser externo aos gramados. “Acredito que isso é um reflexo da crise financeira e do desemprego. Por isso, colocamos o valor do ingresso baixo. Hoje é o mais barato da competição, e estamos sempre fazendo promoções para trazer a torcida de volta ao Majestoso. Esperamos que agora, com o time classificado e em especial no jogo das quartas de final, essa situação comece a se reverter”, afirmou.

Outra razão apontada para tentar explicar essa situação foram os horários dos jogos. A assessoria do Santo André apontou que uma reforma na iluminação do Estádio Bruno José Daniel inviabilizou jogos à noite, fazendo com que todas as partidas do time fossem realizadas de manhã ou de tarde. Segundo a assessoria, esse tipo de prejuízo já era esperado no clube.

FORA DA CURVA

Entre as equipes do interior, apenas Mirassol e Novorizontino não tiveram prejuízo financeiro em nenhum jogo dentro de casa. De acordo com os times, o cenário positivo e o engajamento da torcida são resultados de ações que integram planejamento financeiro e ações de marketing.

“O fundamental é ter torcida no estádio para ajudar o time. Vendemos pacotes de ingressos antecipadamente e ainda temos o plano de cadeiras cativas, onde a pessoa adquire o direito de utilizar a cadeira durante o ano todo, pagando uma anuidade”, explica o gerente administrativo do Grêmio Novorizontino, Ronaldo Soares.

Já para o Mirassol, a estratégia principal foi investir no marketing. Durante a semana, a equipe promove ações com o Leão, mascote do time, nas ruas da cidade. Nos dias de jogo, a ação vai para dentro do estádio José Maria de Campos Maia. Durante os intervalos, torcedores sorteados entram em campo para cobrar pênaltis. Se o mascote Leão, que vai para o gol, não conseguir defender, os torcedores ganham camisetas oficiais e outros brindes da equipe. Para a diretoria, também ajudou a manter a casa cheia a presença de uma banda municipal que se apresenta antes dos jogos.

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