Karim Georges/FEC
Karim Georges/FEC

Clubes do Nordeste crescem com gestões responsáveis e se destacam em competições nacionais

Equipes fazem boas campanhas e assumem local deixado por gigantes do Sudeste, hoje na Série B, como Vasco, Botafogo e Cruzeiro; na semifinal da Copa do Brasil e no G-4 do Brasileirão, Fortaleza é o principal exemplo

Rodrigo Sampaio, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 10h46

A temporada de 2021 está sendo marcante para o futebol nordestino. Com gestões profissionais e trabalhos sólidos nos bastidores, Fortaleza, Ceará e Bahia fincaram os pés na elite do futebol brasileiro e têm ocupado a local deixada por gigantes como Botafogo, Cruzeiro e Vasco, que hoje buscam uma reestruturação na segunda divisão. Na semifinal da Copa do Brasil, após vencer o São Paulo por 3 a 1, e no G-4 do Brasileirão, o tricolor cearense é o principal destaque. O time comandado por Juan Pablo Vojvoda está a dois pontos de superar a melhor campanha no turno de uma equipe do Nordeste na história dos pontos corridos.

"A bola não entra por acaso, os resultados esportivos são fruto de um trabalho duro, com investimentos na região e um povo que ama futebol. Nas últimas temporadas, conseguimos manter pelo menos quatro representantes na primeira divisão. Ainda existe uma longa trajetória para ser percorrida, mas mostra que estamos no caminho certo para uma consolidação", conta Marcelo Paz, mandatário do Fortaleza.

Maior rival do Estado, o Ceará está disputando a quarta temporada consecutiva na elite do futebol nacional. Com papel importante no acesso à Série A, em 2017, Marcelo Segurado, executivo de futebol, ressalta que a estrutura do alvinegro é um dos alicerces para o bom momento no cenário brasileiro. "Quando conheci o trabalho feito pela diretoria, vi que existia um grande potencial para reconstrução. Conseguimos quebrar um longo tabu e devolver o Ceará à primeira divisão. É um clube com uma das melhores estruturas em que já trabalhei".

Bicampeão brasileiro, o Bahia sofreu nos anos 2000 com o fraco desempenho técnico, culminando com uma passagem pela Série C, em 2005. Teve Bobo, até tema de música, e depois se perdeu. Na última década, no entanto, o clube reverteu a condição e se tornou a principal referência do futebol nordestino, com participações em competições internacionais. Júnior Chávare assumiu a direção do futebol profissional em março deste ano. Em pouco tempo, conseguiu trabalhar o time de transição e conquistar a Copa do Nordeste. Para o dirigente, o alto nível técnico do Regional ressalta a importância da competição para os times locais.

"É um torneio com uma exigência muito alta, é necessário uma preparação estratégica para chegar à disputa das fases finais. No caso do Bahia, disputamos o Estadual com a equipe de transição e priorizamos o Nordestão no primeiro semestre. Foi uma das conquistas mais especiais da minha carreira, estou muito motivado para buscar coisas grandes com essa camisa", conta Chávare.

A boa fase se estende a outros torneios. Na Série B, em todas as rodadas houve uma agremiação da região entre os quatros primeiros colocados. Já na Série C, o Botafogo-PB lidera o Grupo B da competição. Nos torneios eliminatórios, Bahia e Ceará participaram da Copa do Sul-Americana, e o Fortaleza segue vivo na disputa pelo título da Copa do Brasil.

Fora de campo, as marcas intensificaram as ativações comerciais para estreitar a relação com os fãs. Patrocinadora de Bahia e Vitória, a Casa de Apostas criou diversos concursos para interagir com os fãs. 

"Para uma boa relação com a torcida, os patrocinadores devem sempre buscar esse engajamento com ações comerciais. Com Bahia e Vitória, promovemos um concurso para escolher o desenho dos ônibus oficiais. Além disso, durante o Brasileirão com o 'Barril Dobrado' e 'Leão da Partida' os aficionados decidem os melhores jogadores nos triunfos da dupla BaVi, concorrendo a diversos prêmios em nossa plataforma", conta Hans Schleier, diretor de marketing da empresa.

De acordo com Fernando Kleimmann, sócio-diretor da Volt Sport, os clubes no nordeste possuem torcidas numerosas e apaixonadas, além de ser um ponto estratégico para as fornecedoras de materiais esportivos. "Dentre as agremiações que mais vendem camisas no Brasil, podemos citar algumas equipes da região. No CSA, conseguimos sentir o calor da torcida e a paixão dos fãs pela instituição. É um local que admiro muito e espero que a Volt possa produzir os uniformes de mais equipes por lá".

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