Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Clubes e empresas buscam alternativas para monetizar durante pandemia e investem em conteúdo digital

Sem público nos estádios, times se reinventam para lucrar e não ter queda no número de sócios-torcedores

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 11h00

Sem a presença de público nos estádios, em razão da pandemia do coronavírus, clubes e empresas buscam criar alternativas para manter o número de sócios-torcedores e, consequentemente, a renda que os programas geram. A ideia é encontrar outros benefícios para os fãs e investir em conteúdos digitais. Neste sentido, o Fortaleza e o Bahia largaram na frente com a criação de suas plataformas de streaming.

A Feng Brasil, empresa especializada no assunto e que cuida dos programas de sócios-torcedores de Santos, Vasco e Flamengo, tentou criar alternativas para não haver grande perda de associados. O primeiro passo foi lançar campanhas para mostrar aos torcedores que ser sócio não é ter apenas o benefício em compras de ingressos. Em entrevista ao Estadão, o diretor de negócios da empresa, André Monnerat, contou como têm sido os desafios durante a pandemia.

"Acho que esse momento acelerou o que já iria acontecer no futuro. Igual ao home office, que uma hora iria passar a ter mais e agora as empresas viram que funciona. Ser sócio é uma afirmação do orgulho e o que o clube faz é reconhecer. Antes tinha os ingressos, e agora não tem mais e não sabemos por quanto tempo, então precisamos criar alternativas. A ideia é criar conteúdos onlines exclusivos para sócios-torcedores", afirmou.

Os clubes investiram em campanhas nas redes sociais e chegaram a oferecer descontos nos planos de sócios-torcedores (veja abaixo as ações), mas registraram perdas no número de associados. Os times agora analisam estreitar os laços com seus torcedores por meio de conteúdos digitais exclusivos.

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Todo mundo está fora da zona de conforto, é preciso usar a criatividade e testar, porque é tudo novo
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André Monnerat, diretor de negócios da Feng Brasil

"Nos clubes do exterior a gente já vê bastante isso de os sócios assinarem conteúdos. Vai chegar aqui em algum momento e estamos trabalhando nesse sentido, em criar soluções com interação digital. Todo mundo está fora da zona de conforto, é preciso usar a criatividade e testar, porque é tudo novo", disse Monnerat, que acredita na manutenção dessas ações mesmo quando o público puder voltar às arquibancadas. "A maioria dos torcedores não vai ao estádio. O estádio cabe milhares e os clubes têm milhões de torcedores. Essa criação serve também para os torcedores que não podem ir aos jogos".

Na Futebol Card, o impacto foi ainda maior. A empresa cuida de programa de sócios-torcedores de 12 clubes e é a responsável pela venda de ingressos de 20. Com a pandemia, a Futebol Card conversou com os times e criou algumas alternativas, como venda de jogos antigos online e de totens com a foto dos torcedores nos estádios.

"Foi um baque mundial. Da noite para o dia parou nosso faturamento de ingressos. Graças à gestão de programas que conseguimos sobreviver de 'canudinho'. Foi um momento que pensamos: 'o que temos que fazer para nos reinventar?' E então começamos a falar com os clubes e criamos essas ações", contou o sócio-fundador da empresa, Robson Carlo Mello De Oliveira.

Antes mesmo da pandemia, a Futebol Card já havia investido na criação de bancos digitais para os clubes. A empresa fez parceria com a LogBank, de soluções em pagamentos eletrônicos, para lançar plataforma de banco digital para os times. Assim, as partes ganham em todas as transações. O projeto está em andamento no Avaí, Londrina, Paysandu e Santa Cruz.

Outra aposta da Futebol Card foi na criação da loja virtual. A empresa vai começar a comercializar produtos esportivos em seu site, passando a ser concorrente, por exemplo, da Centauro e da Netshoes. Foi feita a integração com lojas de alguns clubes e a Futebol Card criou seu próprio market place.

"A pandemia fez nossa empresa sair da caixinha, precisamos pensar no que mudar para não depender do ingresso. Desde quando surgiu o coronavírus, sempre imaginei que esse ano não voltaria a ter público nos estádios. Colocamos a turma para desenvolver alternativas digitais para que possamos dar um passo diferente na empresa. Se dependermos só do ingresso, a empresa pode sumir", afirmou Oliveira.

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A pandemia fez nossa empresa sair da caixinha, precisamos pensar no que mudar para não depender do ingresso
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Robson Carlo Mello De Oliveira, sócio-fundador da Futebol Card

VEJA ALGUMAS AÇÕES DOS CLUBES

Descontos: o Santos e Vasco ofereceram descontos nas novas adesões ou renovações. O Grêmio também passou a oferecer mensalidades mais baixas. O Botafogo retirou a taxa de adesão. Já o Palmeiras ofereceu créditos aos sócios-torcedores em sua loja virtual.

Totens: alguns clubes, como Corinthians, Santos e São Paulo, comercializam totens com fotos de torcedores. Os objetos ficam nas arquibancadas dos estádios. É uma forma de o torcedor se sentir representado nos jogos e o clube lucrar mesmo sem a presença de público.

Conteúdos digitais: O Fortaleza lançou o Super App Fortaleza Esporte Clube, com conteúdos exclusivos para os sócios. O Bahia lançou o programa Sócio Digital, apelidado de "Netflix do Bahia". Outros clubes trabalham neste sentido e chegaram a oferecer transmissões de jogos antigos em seus canais no YouTube.

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